O cancelamento do debate presidencial que seria transmitido pela TV Globo na noite de quinta-feira (1º) foi determinado com a participação direta do conselho de administração do Grupo Globo. Este conselho já havia estabelecido que o evento deveria ser suspenso caso novas determinações judiciais alterassem as condições previamente acordadas com as legendas partidárias. As informações são da coluna Outro Canal, do F5, da Folha de S. Paulo. Ao longo do dia, o conselho, composto por executivos do grupo e membros da família Marinho, avaliou a possibilidade de suspensão e posteriormente ratificou a decisão da emissora. Entre os integrantes mencionados pela coluna estão Carlos Henrique Schroeder, Paulo Marinho, Roberto Marinho Neto, Alberto Pecegueiro, Rodrigo Xavier e Paula Bellizia.
Interferências Judiciais e o Cenário para o Cancelamento
A orientação interna para o cancelamento surgiu após uma decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que assegurou a participação de candidatos do partido Novo em debates eleitorais. Essa medida resultou na inclusão de Romeu Zema no confronto presidencial da Globo. Nunes Marques considerou que os cinco deputados atualmente filiados à legenda deveriam ser contabilizados para a aplicação da regra legal sobre a participação em debates. Membros do conselho da Globo interpretaram que o Judiciário estava interferindo na organização editorial do encontro. Assim, a diretriz interna passou a ser discutir o cancelamento caso novas decisões alterassem o formato planejado.
O cenário para o cancelamento se intensificou horas antes do horário previsto para o debate. A ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que a Globo não poderia exibir o púlpito vazio de candidatos ausentes, atendendo a um pedido da coligação do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia confirmado sua ausência. A ministra também proibiu que os demais candidatos simulassem perguntas ao participante ausente, afirmando que a ausência implicaria apenas a perda da oportunidade de participação na rodada. Posteriormente, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu pela inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no debate, representando mais uma alteração na composição planejada, após pedidos anteriores do candidato terem sido negados.
Desistências e Posição da Emissora
O cancelamento ocorreu após a determinação de inclusão de Renan Santos e a decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de não participar. Conforme a coluna Outro Canal, foi nesse momento que a Globo ativou o protocolo previamente discutido pelo conselho de administração. O editorial divulgado pela emissora para justificar o cancelamento também foi alinhado com a alta direção do grupo, que expressou discordância com a interferência judicial nas regras acordadas para o debate.
Inicialmente, a Globo havia convidado Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Romeu Zema foi incluído após a decisão de Nunes Marques na terça-feira (29). Lula informou sua ausência na quarta-feira (30), optando por participar de uma entrevista ao Flow Podcast no horário do debate. Flávio Bolsonaro, que havia confirmado presença, desistiu após as decisões sobre o púlpito dos ausentes e a inclusão de Renan Santos, atribuindo sua saída à “censura” imposta ao evento pela Justiça Eleitoral e realizando uma transmissão ao vivo com aliados.
Com a ausência dos dois candidatos e as mudanças impostas pela Justiça, a Globo optou pelo cancelamento completo do programa. Este seria o último debate promovido pela emissora antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4). A legislação eleitoral permitia a realização de debates no rádio e na televisão até quinta-feira (1º), com a possibilidade de extensão até as 7h de sexta-feira (2).






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