O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), que busca a reeleição, manifestou sua intenção de manter uma postura de enfrentamento contra grupos políticos que influenciam o orçamento federal e contra iniciativas que, em sua visão, comprometem a soberania do país e os direitos dos trabalhadores. Em entrevista, Braga destacou como pilares de sua plataforma o combate às emendas sem transparência e a promoção da participação popular na definição dos gastos públicos.

Combate ao Orçamento Secreto e Emendas Participativas

Braga relacionou sua trajetória parlamentar aos embates na Câmara dos Deputados, indicando que sua atuação contra o chamado orçamento secreto explica muitos dos conflitos enfrentados e o processo de cassação de seu mandato. Ele argumenta que o crescimento das emendas parlamentares alterou a relação entre Executivo e Legislativo, reduzindo a liberdade do governo federal para definir investimentos. Para o deputado, o problema não são as emendas em si, mas a falta de transparência e rastreabilidade de algumas modalidades. O parlamentar defende o fim do orçamento secreto e a realização de um plebiscito sobre a organização orçamentária e o peso das emendas.

Como alternativa ao modelo atual, Glauber Braga apresentou o conceito de “emendas participativas”, uma prática de seu mandato onde a destinação das emendas individuais é definida em encontros públicos, com a deliberação de moradores, estudantes e movimentos sociais. Ele citou exemplos de recursos direcionados a municípios fluminenses, à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), a projetos de tecnologia assistiva para pessoas com deficiência e a pesquisas sobre Alzheimer na UFRJ, uma causa que ganhou dimensão pessoal após sua mãe ser diagnosticada com a doença.

Defesa Trabalhista e Soberania Nacional

O deputado também abordou a agenda trabalhista, relembrando a defesa do fim da escala de trabalho 6x1 na Câmara em 2023, após reunião com o movimento Vida Além do Trabalho. Ele defendeu que pautas inicialmente consideradas inviáveis podem ganhar força com mobilização social. Braga incluiu entre suas prioridades a oposição à ampliação da pejotização e a defesa dos direitos dos trabalhadores. Outro ponto central de sua atuação é a defesa da soberania nacional, que o parlamentar associa à política externa, às empresas públicas e à regulação das plataformas digitais. Ele criticou as privatizações, mencionando a situação dos trabalhadores da antiga Eletrobras e defendendo a realocação de concursados dispensados.

Braga ressaltou a importância de uma atuação parlamentar que ele descreve como “luta anti-imperialista”, especialmente em um cenário onde disputas internacionais afetam a política interna latino-americana. O deputado enfatizou que, para ele, é crucial manter a linha de enfrentamento a questões fundamentais, mesmo que isso ocasione a imagem de “brigão”. Ele destacou que a mobilização popular fora do Congresso foi decisiva para a defesa de seu mandato.

Proposta de Licença Familiar Abrangente

Glauber Braga também mencionou uma proposta, elaborada em parceria com a deputada Sâmia Bomfim, que visa ampliar a participação familiar nos primeiros meses de vida das crianças. A iniciativa busca estender a licença para que duas pessoas de referência da criança possam participar do período de cuidado, considerando diversas configurações familiares. Ele criticou o curto período da licença-paternidade e a desproporcional responsabilidade imposta às mulheres, argumentando que a medida poderia beneficiar famílias de diferentes arranjos, como pais e mães, duas mães ou dois pais, promovendo um cuidado mais equitativo.