O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), expressou profunda tristeza pela morte do jornalista Márcio Chaer, fundador do Consultor Jurídico (ConJur), que faleceu no sábado, 3 de outubro de 2026, em São Paulo. Em sua manifestação, Gilmar Mendes ressaltou a atuação de Chaer como pioneiro no jornalismo especializado em assuntos jurídicos no Brasil, enfatizando sua contribuição para a democratização do acesso à informação jurídica e sua postura na defesa das garantias individuais e do Estado de Direito.
Mendes relembrou o surgimento do ConJur, cujo primeiro conteúdo foi divulgado em 25 de julho de 1997. Naquela época, segundo o ministro, o Poder Judiciário mantinha uma grande distância da sociedade. Chaer, por meio do ConJur, "ajudou a mudar isso", criando uma plataforma que tornou o conteúdo jurídico especializado acessível gratuitamente ao público e abrindo espaço para a discussão entre estudiosos do Direito. Para Gilmar Mendes, o alcance do projeto era tal que "não há um advogado, um juiz ou um promotor no país que não tenha frequentado esse site".
O Legado de Márcio Chaer
Além do ConJur, Gilmar Mendes destacou a criação do Anuário da Justiça em 2007, outra iniciativa liderada por Chaer que se consolidou como uma fonte relevante de informações sobre os tribunais brasileiros. Essa coleção, com mais de 70 edições, abrange o STF, tribunais superiores, Justiça Federal, Justiça do Trabalho, entre outras áreas do sistema jurídico. O ministro também mencionou a internacionalização do ConJur, que publicou textos de juristas estrangeiros de destaque, como Luigi Ferrajoli e Eugenio Raúl Zaffaroni. Gilmar Mendes afirmou que Chaer posicionou a revista na vanguarda da cobertura jurídica, salientando que "poucos fizeram tanto para aproximar o jornalismo e o Direito, e o público da informação qualificada".
Gilmar Mendes fez questão de abordar a atuação de Chaer em momentos de intensa tensão política e institucional no Brasil, especialmente durante a Operação Lava Jato. O ministro descreveu Chaer como um "defensor das instituições" que tinha a "coragem e o destemor para sustentar posições contramajoritárias, sempre leal aos fatos e ao senso de justiça". Segundo Mendes, o ConJur se diferenciou ao abrir espaço para críticas a abusos e violações de direitos fundamentais durante a operação, tornando-se "um dos bastiões de resistência contra a desinformação".
Impacto e Homenagens
O ministro do STF concluiu sua homenagem ressaltando a capacidade de Chaer de reunir pessoas e construir laços duradouros, afirmando ter tido a honra de conviver com ele. Gilmar Mendes estendeu suas condolências à família, amigos e à equipe do ConJur, reiterando que Márcio Chaer "foi, e continuará sendo, uma referência para o jornalismo e para o Direito no Brasil".
A morte de Chaer gerou diversas manifestações de integrantes do Judiciário e do mundo jurídico. Sua principal obra, o Consultor Jurídico, em quase três décadas de existência, contribuiu significativamente para a transformação da relação entre a sociedade brasileira e o sistema de Justiça. Nas palavras de Gilmar Mendes, poucos indivíduos fizeram tanto para aproximar o jornalismo, o Direito e o público da informação de qualidade como Márcio Chaer.






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