O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Neto, voltou a negar ter assassinado a soldado Gisele Alves em seu depoimento à Justiça, conforme apurações. Gisele foi encontrada morta por disparo de arma de fogo em fevereiro, no apartamento que dividia com Neto, em São Paulo. O oficial é suspeito de feminicídio, mas sustenta a versão de que a soldado teria tirado a própria vida, hipótese contestada por três laudos periciais.

Gisele, de 32 anos, foi baleada na manhã de 18 de fevereiro, no imóvel na Barra Funda, onde estava a sós com Geraldo Neto. A perícia indica que o disparo fatal partiu da arma do tenente-coronel. Um novo laudo complementar reforça que seria impossível para a policial ter atirado contra a própria cabeça.

A versão de Neto, de que saiu do banheiro e encontrou a companheira caída na sala após ouvir um barulho, é confrontada pelas perícias. Uma reprodução simulada revelou que uma árvore de Natal no ambiente obstruía a visão do local onde Gisele estava. O tenente-coronel alegou que a árvore foi alterada por investigadores para incriminá-lo, mas imagens de câmeras corporais dos policiais que atenderam a ocorrência mostram a árvore intacta. Um bombeiro que socorreu Gisele também relatou ter visto a árvore no local e estranhou a posição da arma junto à mão da vítima, apoiada sobre a coxa.

A perícia sugere que Gisele foi abordada por trás e imobilizada antes de ser atingida por um disparo à queima-roupa, evidenciado por marcas no queixo. Sangue foi encontrado no banheiro, em uma toalha e na bermuda de Neto. O oficial contesta as provas, afirmando que a cena foi alterada.

A investigação também revelou mensagens indicando conflitos no relacionamento. Gisele relatou a familiares e amigos que queria se separar devido ao comportamento possessivo e ciumento do companheiro. Em áudio 12 dias antes de morrer, ela mencionou que Neto havia colocado a mão em seu rosto durante uma discussão. O tenente-coronel negou as acusações, sugerindo que Gisele produzia as mensagens no celular dele para incriminá-lo. Mensagens recuperadas do celular da soldado mostram discussões sobre o divórcio, incluindo uma em que Neto teria se descrito como um “macho alfa” e esperado obediência da companheira. Ele negou ter enviado algumas das mensagens, mas confirmou uma em que dizia que o “sexo” com Gisele “era caro”.

Próximos passos do caso

Apesar de Gisele manifestar desejo de separação, Neto afirmou que ela não queria de fato o divórcio, enquanto ele próprio desejava o término. A defesa do tenente-coronel solicitou a liberdade provisória, mas o Ministério Público se opôs, argumentando que ele poderia influenciar o julgamento e testemunhas. Neto permanece em prisão preventiva. A defesa confia na impronúncia, o que impediria que ele fosse a júri popular. A Justiça decidirá se há elementos suficientes para que Geraldo Neto seja julgado por feminicídio.