A mãe de Eduarda Campopiano (PL), deputada estadual eleita por São Paulo e conhecida por suas críticas a políticas sociais, recebe um benefício assistencial do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) há pelo menos oito anos. Débora Campopiano, artesã de 59 anos, é beneficiária do Benefício de Prestação Continuada (BPC), um auxílio destinado a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social.

A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, neste sábado (10). Segundo a reportagem, Débora Campopiano recebe o benefício ao menos desde 2019, período em que também divulga e comercializa cursos de artesanato pela internet. O caso gera questionamentos sobre a renda familiar e se os ganhos com as atividades profissionais são compatíveis com os critérios para a manutenção do auxílio.

Renda e critérios do BPC

O BPC garante o pagamento mensal de um salário mínimo. Para ser elegível, a pessoa deve ter deficiência (sem limite de idade) ou ser idosa (a partir de 65 anos), e estar em situação de vulnerabilidade social. Como Débora tem 59 anos, seu enquadramento no programa se dá pela modalidade destinada a pessoas com deficiência. Um dos critérios para o benefício é que a renda mensal por integrante do grupo familiar seja igual ou inferior a um quarto do salário mínimo, além da inscrição no Cadastro Único (CadÚnico).

Débora Campopiano mantém um perfil no Instagram com mais de 28 mil seguidores, onde divulga oficinas e cursos de fabricação de bonecas artesanais e de pano. Em publicações, incluindo uma de 2025, ofereceu workshops e cursos com opções de pagamento parcelado. Eduarda Campopiano também participou de algumas divulgações, convidando interessados para cursos gratuitos que poderiam levar a conteúdos pagos. Não foi possível determinar o quanto Débora efetivamente recebeu com a venda desses produtos.

Situação familiar e política

A composição familiar de Débora Campopiano ainda não foi esclarecida. A assessoria de Eduarda não informou se a deputada eleita reside com a mãe, o que pode influenciar na avaliação da renda familiar para o benefício. Caso Eduarda integre o grupo familiar considerado pelo INSS, seus rendimentos poderiam ser relevantes. Segundo a Câmara Municipal de Praia Grande, Eduarda já atuava como comentarista e, como vereadora em 2025, recebia mais de R$ 10 mil por mês.

A assessoria da parlamentar não esclareceu se Débora obtém renda com a venda dos cursos ou se eventuais ganhos foram comunicados ao INSS. É importante notar que o recebimento do BPC por uma pessoa com deficiência não é, por si só, incompatível com a divulgação de atividades profissionais. A análise depende da natureza da atividade, da existência de rendimentos e das condições individuais previstas na legislação. Até o momento, as informações não indicam irregularidade na concessão ou manutenção do benefício.

A revelação ocorre poucos dias após Eduarda Campopiano, de 23 anos, conquistar uma das maiores votações da história da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com 1.956.238 votos nas eleições de 4 de outubro. Ligada ao bolsonarismo, Eduarda ganhou projeção nas redes sociais com discursos conservadores e críticas ao feminismo e a políticas públicas direcionadas a grupos minoritários. Antes de ser eleita deputada estadual, foi vereadora de Praia Grande em 2024. Sua atuação política é marcada pelo enfrentamento de pautas tradicionalmente defendidas por movimentos feministas e organizações de direitos humanos.

A questão do benefício assistencial recebido pela mãe da parlamentar adiciona um novo elemento ao debate sobre suas posições em relação às políticas sociais. Permanece sem esclarecimento, contudo, se a renda familiar e os eventuais ganhos com os cursos de artesanato foram considerados nas avaliações realizadas pelo INSS para a concessão e a continuidade do pagamento.