Em São Paulo, a ex-presidente da Irlanda, Mary Robinson, alertou para os riscos de políticas agrícolas que priorizam a exportação, enfatizando que essa abordagem pode comprometer a segurança alimentar de um país. A declaração foi feita durante o Global Agribusiness Forum (GAFFFF), onde Robinson, como palestrante principal, defendeu um maior equilíbrio entre a produção local de alimentos, o comércio internacional e a valorização econômica da natureza.
Robinson, que também atuou como Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, compartilhou a experiência irlandesa para ilustrar suas preocupações. Segundo ela, a Irlanda importa cerca de 83% dos alimentos que consome, enquanto exporta aproximadamente 90% de sua carne bovina e laticínios. Essa dependência de longas cadeias de suprimentos, que utilizam muitos combustíveis fósseis e são vulneráveis a choques climáticos e bloqueios, expõe fragilidades na segurança alimentar do país.
Equilíbrio entre exportação e produção local
A ex-presidente irlandesa sublinhou a importância de reconhecer que a segurança alimentar deve incluir um equilíbrio de alimentos produzidos localmente. Embora a produção para o comércio internacional seja relevante, ela não deve ser o único foco das políticas agrícolas. Robinson destacou que o problema surge quando um único modelo de agricultura é tratado como a principal medida de sucesso, negligenciando outras áreas e levando à dependência de importações.
Ela ainda expressou preocupação com a situação de países mais ricos, que muitas vezes possuem uma falsa sensação de segurança alimentar por sua capacidade de adquirir produtos no mercado global. No entanto, o aumento dos preços dos alimentos pode expor essas vulnerabilidades. Robinson citou que nações europeias, como Suécia e Noruega, estão criando estoques reguladores diante da possibilidade de impactos climáticos na produção mundial, como o fenômeno El Niño.
Natureza viva e novas soluções
Robinson defende que a natureza seja considerada um elemento central nas decisões econômicas e agrícolas, com o reconhecimento do valor dos ecossistemas preservados. Ela ressaltou que a agricultura precisa incorporar essa perspectiva, em vez de tratar os recursos naturais apenas como uma fonte de exploração. A ex-presidente também mencionou a importância da tecnologia e da participação dos jovens na busca por novas soluções para os desafios da segurança alimentar e da sustentabilidade.
Ao abordar as relações comerciais, Robinson enfatizou a necessidade de diferentes regiões fortalecerem suas capacidades e ampliarem a cooperação regional. Ela citou exemplos como o Mercosul e a União Europeia, embora reconheça os desafios inerentes a esses modelos. Em relação à transição energética, a ex-presidente da Irlanda destacou a relevância dos biocombustíveis como uma das alternativas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, mencionando iniciativas lideradas por mulheres em comunidades locais.






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