A demanda global por etanol está prevista para crescer consideravelmente nos próximos anos, impulsionada por avanços tecnológicos em setores como agricultura, aviação e transporte marítimo. Henrique Berbert de Amorim Neto, presidente do Arranjo Produtivo Local do Álcool (APLA), ressaltou em entrevista ao Brasil 247, durante o Global Agribusiness Forum (GAFFFF) em São Paulo, que diversas soluções tecnológicas estão convergindo para o uso do etanol como ferramenta para reduzir emissões. Ele destacou o etanol de milho como a principal via para a expansão da produção nacional.
Amorim também rebateu críticas sobre possíveis danos a motores com o aumento da mistura de etanol na gasolina, classificando-as como falácias. Segundo ele, a experiência brasileira desde 1975 e estudos de empresas e universidades demonstram a segurança dessa prática. O presidente do APLA mencionou ainda a parceria com a ApexBrasil para promover a exportação de tecnologia brasileira, além da crescente procura por etanol para o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e combustível marítimo, cenários que, em sua visão, exigirão um salto expressivo na capacidade produtiva do Brasil.
Crescimento e diversificação do setor
O setor de etanol evoluiu significativamente desde o início do Programa Nacional do Álcool (Próálcool) em 1975, que tinha como objetivo reduzir a dependência brasileira da importação de petróleo. Naquele período, o Brasil moía 68 milhões de toneladas de cana; atualmente, esse número supera 700 milhões de toneladas, resultando em maior produção de etanol, açúcar e energia elétrica. Além da demanda por veículos leves flex, a diversificação para outros produtos e usos é notável. Grandes empresas agrícolas estão desenvolvendo tratores e colhedoras de cana com motores a etanol, e há tecnologias que permitem o uso de até 30% de etanol em motores a diesel, todos visando a redução da pegada de carbono. A curto prazo, a maior demanda por etanol é esperada no setor agrícola, abrangendo não apenas a cana, mas também grãos.
Em relação às críticas sobre o desgaste de motores, Amorim afirmou que, desde 1975, o Brasil utiliza etanol em motores sem problemas, inclusive com tecnologias mais antigas. Ele enfatizou que qualquer aumento na mistura de etanol na gasolina é precedido por estudos aprofundados que confirmam a ausência de danos. O Brasil, inclusive, é referência mundial nessa prática, com mais de 50 países já misturando etanol na gasolina, e muitos deles planejando aumentar essa proporção para reduzir a pegada de carbono da gasolina.
Exportação de tecnologia e novas fronteiras
A parceria entre o APLA e a ApexBrasil tem como meta impulsionar a exportação de tecnologia brasileira de produção de açúcar, etanol e energia. O APLA realiza missões internacionais para países que já produzem etanol e para aqueles com grande potencial produtivo, tanto de cana quanto de milho, visando a exportação de know-how. Além dos equipamentos agrícolas, há uma grande oportunidade no mercado de exportação de etanol para SAF e para combustível marítimo.
O uso de etanol como bunker marítimo já é uma realidade, com navios transoceânicos sendo abastecidos com o combustível. Empresas como a Vale, em parceria com a China, buscam a descarbonização até 2050 e escolheram o etanol como rota para atingir essa meta. A demanda por etanol é tão grande que a produção atual não será suficiente. Para se ter uma ideia, se apenas 10% do SAF necessário até 2050 for produzido a partir de etanol (que é a via mais barata), seriam necessários 400 milhões de litros de etanol. Atualmente, a capacidade de etanol de cana no Brasil é de 30 milhões de litros. Para suprir essa demanda, novas fronteiras são essenciais, e o etanol de milho surge como a principal fonte de aumento da produção. Em apenas sete anos, o etanol de milho já representa quase 30% de todo o etanol produzido no Brasil, com um crescimento mais rápido em comparação à cana devido ao ciclo de plantio e colheita.






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