A Petrobras completa 73 anos neste sábado (3/10) com o desafio de ampliar sua contribuição para o desenvolvimento do Brasil. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o futuro da companhia depende de uma atuação integrada, do fortalecimento da indústria nacional e de uma transição energética que aproveite o conhecimento tecnológico do setor de petróleo e gás.

Fundada em 1953 após a campanha “O petróleo é nosso”, a Petrobras se consolidou como uma das maiores empresas de energia do mundo, sendo referência na exploração em águas profundas e ultraprofundas. Em 2025, a empresa registrou uma produção de 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia, um aumento de 11% em relação ao ano anterior.

Cibele Vieira, coordenadora-geral da FUP, ressaltou que a Petrobras atinge 73 anos às vésperas das eleições que discutirão o futuro do país. Ela enfatizou que as riquezas brasileiras não devem ser entregues a outros países, pois o Brasil tem sua própria importância no cenário global.

Essa visão se reflete no Plano de Negócios 2026–2030 da Petrobras, que prevê um investimento total de US$ 109 bilhões. Esses recursos serão destinados à exploração e produção, refino, gás, fertilizantes, petroquímica, biocombustíveis e negócios de baixo carbono, com expectativa de gerar 311 mil empregos diretos e indiretos e contribuir com R$ 1,4 trilhão em tributos.

Soberania e desenvolvimento

Para a FUP, esse montante de investimentos reforça a importância de uma Petrobras integrada, atuando “do poço ao posto”. Isso implica fortalecer o refino, a indústria naval, a pesquisa, a inovação e a criação de empregos no país. A política energética também é vista como diretamente ligada à soberania alimentar.

A transição energética oferece à Petrobras a oportunidade de converter seu conhecimento acumulado em novas atividades econômicas, tecnologia e empregos. A energia e a produção de alimentos estão interligadas, como evidenciado pelo uso do gás natural na produção de fertilizantes nitrogenados, essenciais para a agricultura brasileira. A FUP defende a ampliação da fabricação nacional desses insumos para reduzir a dependência externa e fortalecer a segurança alimentar.

Transição energética e recursos estratégicos

A transição energética também destaca a importância de minerais como lítio, terras raras, níquel, grafita, cobalto e manganês, cruciais para baterias, veículos elétricos e tecnologias de baixo carbono. A federação entende que o Brasil deve ir além da exportação de recursos naturais, agregando valor através do processamento, pesquisa, inovação e geração de empregos.

A FUP defende que as riquezas geradas pelo petróleo e outros recursos estratégicos devem impulsionar o desenvolvimento social e econômico do Brasil. O Fundo Social do Pré-Sal, por exemplo, direciona recursos para áreas como educação, saúde, ciência e tecnologia, infraestrutura e segurança alimentar. Essa lógica, segundo a federação, deve guiar a transição energética, aproveitando a infraestrutura, o conhecimento e a capacidade tecnológica da indústria de petróleo para fomentar biocombustíveis, fontes renováveis, pesquisa e inovação. A soberania, nesse contexto, significa ter a capacidade de decidir sobre os recursos estratégicos do país e transformar essa riqueza em desenvolvimento para a sociedade.