O Fundo Amazônia vai financiar, pela primeira vez em sua história, um projeto de saúde diretamente voltado para povos indígenas. Serão investidos cerca de R$ 56 milhões ao longo de quatro anos para beneficiar aproximadamente 20 mil indígenas que vivem na região do Alto Rio Negro, no estado do Amazonas.

A iniciativa prevê a realização de nove expedições médicas, oferecendo exames, cirurgias e consultas com especialistas. Além disso, o projeto contempla a reforma e a modernização de três polos de atendimento localizados em território indígena. A etapa inicial do programa, intitulado “Cuidar para Preservar”, será implementada na comunidade indígena de Iauaretê, também no Amazonas, e é conduzido pela organização Expedicionários da Saúde (EDS).

Atendimento contínuo em área remota

Ricardo Affonso Ferreira, médico e fundador da EDS, destacou que o aporte financeiro possibilitará uma atuação de longo prazo em uma região que apresenta grandes desafios de deslocamento e acesso a serviços especializados. Ele ressaltou que esse apoio inédito garantirá estabilidade para ampliar as ações, desenvolver novas tecnologias sociais, aprimorar os atendimentos e avaliar o impacto real nas comunidades durante os quatro anos de projeto.

A EDS atua com expedições médicas na Amazônia há 23 anos, tendo realizado 58 missões, que resultaram em mais de 11 mil cirurgias, 80 mil atendimentos e 170 mil exames. A próxima missão, em Iauaretê, será a 59ª da entidade. Antes de definir as ações, a organização, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), realizou um diagnóstico abrangente – antropológico, sanitário e socioambiental – na região em maio, ouvindo moradores e profissionais de saúde para estabelecer as prioridades do programa.

Ações previstas e instituições envolvidas

O projeto “Cuidar para Preservar” inclui a aquisição de equipamentos, a oferta de cursos de formação e treinamento para profissionais de saúde locais, o apoio a diagnósticos e a realização de atendimentos itinerantes. A iniciativa também buscará expandir o uso da telemedicina, por meio do programa Telefloresta, e fornecer próteses ortopédicas através do programa Floresta em Movimento, especialmente para pessoas que sofreram amputações, muitas vezes causadas por acidentes com animais peçonhentos na região.

Os atendimentos especializados abrangem oftalmologia (com cirurgias de catarata e pterígio), cirurgia geral de baixa e média complexidade, saúde da mulher, pediatria e odontologia. A estrutura de três unidades públicas de saúde indígena no território será beneficiada com melhorias. A execução do projeto contará com a colaboração de diversas instituições, como o Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro, a Secretaria Especial de Saúde Indígena, o Conselho Distrital de Saúde Indígena, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, a Secretaria de Saúde de São Gabriel da Cachoeira, comunidades locais e a 2ª Brigada de Infantaria de Selva de São Gabriel da Cachoeira. O objetivo é fortalecer a estrutura permanente de saúde no Alto Rio Negro, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos para procedimentos especializados.