A declaração de Flávio Bolsonaro, sobre um dos seus primeiros atos como presidente seria 'decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo', gerou intenso debate e levantou questionamentos sobre o status de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. A discussão se intensificou após comentários no programa UOL News em 28 de setembro, destacando uma possível intenção de 'rebaixar' a Virgem Maria.
O humorista Antonio Tabet, em sua análise, argumentou que a polêmica não se trata de notícias falsas, mas sim de uma sequência de fatos. Ele mencionou a preocupação de setores da Igreja Católica com um movimento para retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. Além disso, Tabet relembrou um projeto de lei de 2007 do então deputado Victório Galli, que visava transformar Nossa Senhora Aparecida em padroeira apenas dos católicos, e não do Brasil.
A sutileza entre 'declarar' e 'decretar'
Um ponto crucial na discussão é a escolha do verbo utilizado por Flávio Bolsonaro. Enquanto Antonio Tabet inicialmente citou que Bolsonaro 'declararia' o Brasil a Jesus, a transcrição exata da fala do político revela o uso do termo 'decretar'. Essa distinção, embora sutil, é considerada significativa para o contexto. O verbo 'declarar' poderia ser interpretado como uma 'força de expressão', sem valor legal ou governamental. Já 'decretar' implica a criação de um decreto, um ato oficial que poderia, de fato, alterar a condição atual.
A interpretação de que o ato de 'decretar' poderia instituir Jesus Cristo no lugar de Nossa Senhora Aparecida como protetor do Brasil tem gerado preocupação, especialmente entre os católicos, já que a padroeira representa a protetora do país.
Contexto histórico e polêmicas
A fala de Flávio Bolsonaro é contextualizada dentro de uma longa história de tensões entre evangélicos e a veneração de imagens e santos católicos. Diversos episódios são citados para ilustrar essa polêmica: em 1995, um bispo da Igreja Universal chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida na televisão; em 2001, o fundador da igreja onde Flávio Bolsonaro foi batizado, JB Carvalho, publicou um livro afirmando que 'Deus odeia o culto à Rainha dos Céus', um dos títulos de Maria.
Além disso, o projeto de lei de 2007 do deputado Victório Galli é constantemente relembrado. Galli, que posteriormente se tornou assessor especial de Jair Bolsonaro e faz campanha para Flávio Bolsonaro, propôs que Nossa Senhora Aparecida deixasse de ser padroeira do Brasil. Cidades como Carapicuíba (SP) e Nova Iguaçu (RJ) também instalaram placas em suas entradas com a mensagem de que 'pertencem a Jesus', o que é visto por muitos como um reflexo dessa corrente ideológica. Para muitos, a promessa de Flávio Bolsonaro é vista como uma tentativa de agradar o eleitorado evangélico, aludindo a essa antiga polêmica.






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