O senador Flávio Bolsonaro (PL), representante do Rio de Janeiro, pretende utilizar um padre como porta-voz em um direito de resposta. A ação visa contestar perfis que disseminaram a informação de que o parlamentar planejava retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A estratégia foi detalhada neste sábado (26) por Igor Gadelha, do Metrópoles, e faz parte da campanha eleitoral de Bolsonaro, que disputa a Presidência da República pelo PL, com Alfredo Gaspar como vice em chapa já validada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A equipe de marketing do senador já preparou um texto para ser a base da mensagem do religioso. O objetivo é que o padre enfatize que assuntos de fé não devem ser explorados como instrumento político para enganar o eleitorado. A campanha de Bolsonaro nega veementemente qualquer associação do senador com uma iniciativa para remover a condição de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, classificando a alegação como falsa.
Origem da controvérsia e esclarecimentos
A controvérsia ganhou força após um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, do Valor Econômico, na GloboNews. Ela mencionou um “movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos” ligado a uma tentativa de retirar de Aparecida a condição de padroeira. Essa informação começou a circular nas redes sociais e foi associada ao senador Flávio Bolsonaro.
Horas depois, a GloboNews fez uma retratação, esclarecendo que a informação se baseava em um projeto de lei de quase duas décadas atrás, já arquivado pela Câmara dos Deputados. O projeto em questão é o PL 2.623/2007, apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado Professor Victorio Galli (PMDB-MT), que propunha substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por uma referência a Nossa Senhora Aparecida como padroeira dos católicos apostólicos romanos. O projeto foi arquivado em 22 de agosto de 2008, após ser rejeitado em comissão. O Metrópoles informou que Galli, anos depois, atuou como assessor especial da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro. Esse projeto antigo ressurgiu na controvérsia durante a campanha eleitoral de 2026.
Decisão do TSE sobre a retirada de publicações
Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do TSE, determinou a remoção de publicações que afirmavam ser verdadeira a intenção de Flávio Bolsonaro de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Na decisão provisória, o conteúdo foi considerado “notoriamente inverídico”. A decisão também ordenou que as plataformas agissem preventivamente para evitar a repetição da alegação. A ordem judicial antecede a divulgação da estratégia da campanha de utilizar um padre como porta-voz no direito de resposta.






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