247 – Uma viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à África do Sul, em março de 2025, reuniu o atual candidato à Presidência com personagens que posteriormente passaram a figurar em investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de fraudes no INSS. Uma fotografia do grupo mostra Flávio ao lado do senador Weverton Rocha (PDT-MA), do advogado Willer Tomaz e do empresário Carlos Alberto de Sá, conhecido como Carlinhos.
As informações foram publicadas pela revista piauí. A imagem integra um conjunto de registros de um safári compartilhados em um grupo de WhatsApp chamado “África do Sul”. O material foi obtido pela Polícia Federal a partir do celular de Weverton, apreendido durante a Operação Sem Desconto.
A viagem ocorreu cerca de um mês antes de o escândalo envolvendo descontos irregulares em benefícios do INSS ganhar repercussão pública, em abril de 2025. Segundo o Estado de Minas, estavam no grupo de WhatsApp Flávio Bolsonaro, Weverton Rocha, Willer Tomaz e as respectivas esposas.
Weverton e Willer são investigados
Weverton Rocha e Willer Tomaz aparecem nas apurações relacionadas ao esquema investigado pela Polícia Federal no INSS. Segundo a reportagem, Willer é investigado sob suspeita de lavagem de dinheiro relacionada ao senador maranhense.
Weverton também já teve o nome incluído em investigação do Ministério Público Federal relacionada ao chamado orçamento secreto no Maranhão. Por ocupar mandato de senador e possuir foro por prerrogativa de função, o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal em 2024.
A relação entre Flávio e Willer antecede as atuais investigações. Durante a CPI da Covid, o advogado chegou a ser citado em discussões relacionadas às suspeitas envolvendo a negociação da vacina indiana Covaxin e foi defendido publicamente pelo então senador.
Empresário foi citado pela CPI da Covid
Outro participante da viagem, identificado como Carlos Alberto de Sá, o Carlinhos, também já apareceu em investigação parlamentar. O relatório final da CPI da Covid, concluído em 2021, pediu seu indiciamento por corrupção ativa e improbidade administrativa.
Carlinhos era ligado à VTCLog, empresa de logística que mantinha contratos com o Ministério da Saúde. A CPI apontou suspeitas de que vantagens teriam sido oferecidas a um integrante da pasta em troca de alterações em contrato para distribuição de insumos, inclusive vacinas. O relatório indicou ainda indícios de superfaturamento estimados em R$ 17 milhões.
A comissão também destacou movimentações financeiras realizadas por funcionário da VTCLog. De acordo com o relatório citado pela reportagem, foram sacados R$ 4,7 milhões em espécie desde 2018, e parte dos recursos teria sido utilizada para o pagamento de boletos pessoais de Roberto Ferreira Dias, então diretor de Logística do Ministério da Saúde.
Outro aspecto analisado pela CPI foi a prática pela qual uma empresa apresenta descontos durante uma licitação e posteriormente solicita aditivos elevados ao contrato, mecanismo conhecido como “jogo de planilha”. Apesar das suspeitas levantadas pela comissão, a apuração parlamentar não levou a um aprofundamento das investigações contra a companhia, segundo o Estado de Minas.
Participantes dizem que viagem foi privada
Questionado pela revista piauí sobre a viagem, Carlos Alberto de Sá afirmou que foi convidado por Willer Tomaz e que pagou as próprias despesas.
Weverton Rocha declarou que as viagens feitas com Willer, de quem é amigo e compadre, têm caráter privado. O advogado também afirmou que mantém uma relação de amizade pessoal com Flávio Bolsonaro e que as despesas das viagens foram pagas com recursos próprios.
Flávio Bolsonaro, segundo a publicação, não respondeu aos questionamentos encaminhados sobre a viagem à África do Sul e sua relação com os demais integrantes do grupo.






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