Eleitor de Salvador enfrentou dificuldade para votar neste domingo, 25, porque não conseguiu encontrar ônibus no transporte público. O bibliotecônomo Adalberto Lacerda, de 42 anos, esperou mais de uma hora e meia no ponto de ônibus antes de desistir e chamar um carro de aplicativo. Relatos similares se multiplicaram na capital baiana, onde veículos de transporte coletivo ficaram retidos nas garagens, prejudicando centenas de eleitores que não conseguiram se deslocar para votar.

O cenário causou preocupação suficiente para que a campanha do presidente Lula solicitasse ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação do horário de votação. O ministro Cristiano Zanin atendeu ao pedido e determinou a extensão do prazo até as 19 horas em todo o país, após relatos de problemas na oferta de transporte público também em São Paulo e outras cidades.

Prefeitura cita problemas operacionais

A prefeitura de Salvador atribuiu a retenção de veículos a questões operacionais, alegando que vários ônibus não puderam sair das garagens porque estavam com adesivos do PT, o que constituiria crime eleitoral segundo a gestão municipal. O prefeito Bruno Reis (União Brasil) informou que o serviço foi normalizado ao longo do dia, apesar dos relatos de eleitores indicarem dificuldade para encontrar ônibus também no período da tarde.

Segundo Adalberto, os poucos ônibus que circulavam estavam superlotados. Ele precisava ir da Avenida Paralela até a região central, onde fica sua seção de votação. Ao retornar, enfrentou novamente a falta de ônibus e precisou de outro carro de aplicativo.

Secretário tem prisão decretada

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Maurício Kertzman, determinou a prisão do secretário de Mobilidade Urbana de Salvador, Pablo Souza, acusado de interferência na operação dos ônibus. A prisão não foi cumprida porque Souza estava em viagem para Paris. Ele prometeu se apresentar nesta segunda-feira, 26, para dar esclarecimentos. Segundo o magistrado, a retenção indevida dos veículos prejudicou a participação eleitoral dos soteropolitanos.

O secretário negou irregularidades e afirmou que havia determinado às empresas de transporte a disponibilização de veículos para o dia da eleição.