Na última semana antes do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstra uma recuperação em parcelas importantes do eleitorado, conforme análise de Felipe Nunes, CEO da Quaest. Mulheres, pessoas de baixa renda e beneficiários do Bolsa Família são os grupos em que a melhora é mais evidente. Nunes divulgou esses dados nesta segunda-feira (28), com base na mais recente rodada de pesquisa presidencial do instituto.

A pesquisa da Quaest indica que Lula detém 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 34%. Ciro Gomes e Ronaldo Caiado registram 4% cada, Renan Santos alcança 3% e Romeu Zema, 1%. A redução de indecisos, de 10% para 5%, e do voto útil, de 16% para 12%, nos últimos quinze dias, ocorre em paralelo à consolidação da liderança de Lula. Em uma simulação de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro empatam com 42% das intenções, sendo que o presidente oscilou dois pontos para cima, enquanto o senador manteve seu patamar.

Recuperação em grupos específicos

Um dos movimentos mais significativos, segundo Felipe Nunes, foi no eleitorado feminino. O que antes era um empate entre Lula e Flávio Bolsonaro duas semanas atrás, transformou-se em uma vantagem de nove pontos percentuais para Lula entre as mulheres. Nunes observa que o 'medo da volta da família Bolsonaro à Presidência' cresceu entre as mulheres, enquanto o 'medo de Lula continuar no poder' aumentou entre os homens, ampliando a disparidade de gênero na reta final.

O eleitorado de menor renda também apresenta uma melhora acentuada para Lula, com uma vantagem de 26 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro. Entre os beneficiários do Bolsa Família, Lula alcança 59% das intenções de voto, contra 27% de Flávio. O pesquisador sugere que essa melhora pode estar ligada a medidas governamentais recentes, como a restrição às apostas online, o reajuste do Bolsa Família e a distribuição de medicamentos para emagrecimento pelo SUS, que tiveram boa receptividade nesses segmentos, especialmente entre as mulheres.

Melhora entre católicos e aprovação do governo

Entre os católicos, Lula registrou uma vantagem de 13 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro, marcando o melhor desempenho do presidente nesse grupo desde 14 de agosto. A pesquisa também apontou uma diminuição da vantagem de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos. A aprovação do governo Lula também mostrou melhora, com a diferença entre aprovação e desaprovação diminuindo de seis para três pontos percentuais em uma semana, passando de 50% para 49% de desaprovação e de 44% para 46% de aprovação.

A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 24 e 27 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06520/2026.