A Federação PSOL-Rede, por meio de seu presidente Juliano Medeiros, enviou um documento ao Ministério das Relações Exteriores requerendo a expulsão de Kimberly Kelly, que atua como chefe interina da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O pedido baseia-se em uma série de ocorrências que, na visão de Medeiros, indicam intromissão do governo de Donald Trump nos temas internos do Brasil.
Entre os motivos citados na representação, está o fechamento da embaixada e dos consulados americanos no Brasil, ocorrido em uma sexta-feira, sob a justificativa de questões de segurança. Medeiros também pediu às autoridades brasileiras que investiguem as circunstâncias que levaram a essa decisão, afirmando que há uma sucessão de ações do governo de Donald Trump que impactam diretamente a soberania e a autonomia das instituições brasileiras.
Justificativa para a solicitação
O documento solicita especificamente que Kimberly Kelly seja considerada persona non grata. Ela ocupa a posição de chefe da representação diplomática americana no Brasil, visto que Daniel Perez, indicado por Donald Trump para ser embaixador, ainda não obteve a aprovação do governo brasileiro. Medeiros argumenta que a declaração de persona non grata é uma prerrogativa do governo brasileiro e não depende de uma condenação criminal.
A representação ainda destaca os deveres dos membros de missões diplomáticas no país onde exercem suas funções. Segundo o texto, os agentes diplomáticos têm a obrigação de respeitar as leis e regulamentos do Estado acreditado e de não se envolver em seus assuntos internos, além de garantir que as instalações da missão sejam utilizadas de forma compatível com suas funções diplomáticas.
Acusações de interferência e a defesa da soberania
Para fundamentar o pedido, Medeiros citou uma reportagem do jornal The Guardian que indicava um suposto financiamento do governo americano a grupos que se opõem ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, a representação mencionou um alerta da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que apontava um “nível crítico” na pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil.
O documento conclui que o conjunto desses eventos exige uma resposta contundente das instituições brasileiras, pois as relações diplomáticas entre nações soberanas pressupõem o respeito à autodeterminação dos povos, à independência dos Poderes e ao direito de cada país de decidir, sem pressões ou tutelas externas, os rumos de sua própria democracia.






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