A história demonstra que todas as tentativas de 'domesticar' ou 'controlar' forças fascistas e da extrema-direita culminaram em insucessos. Na Itália, o rei Vittorio Emanuele III nomeou Benito Mussolini como primeiro-ministro em 1922, após a Marcha sobre Roma, na crença de que seu anticomunismo seria útil e que ele seria moderado por uma coalizão política. Contudo, essa coalizão durou apenas até 1925, quando Mussolini se declarou ditador, concentrando o poder e reprimindo severamente os opositores.

Lições da História: Alemanha e Brasil

Na Alemanha, dez anos depois, a República de Weimar repetiu o erro italiano. Em 1932, em meio a uma grave crise econômica, o partido de Hitler obteve 33% dos votos. Preocupados com o avanço da esquerda, Hindenburg e a direita tradicional nomearam Hitler chanceler, com Von Papen como vice-chanceler, acreditando que poderiam controlá-lo. Hitler, porém, utilizou o incêndio do Reichstag como pretexto para culpar os comunistas e, com o Decreto de Incêndio do Reichstag e a Lei de Habilitação de 1933, obteve amplos poderes, suprimindo as liberdades civis e a governabilidade constitucional. Após a morte de Hindenburg em 1934, ele se tornou o Führer, consolidando um regime totalitário.

Tanto Mussolini quanto Hitler ascenderam ao poder por vias democráticas, aproveitando as regras da época, mas utilizaram movimentos subversivos tolerados por 'democratas' e 'moderados' para estabelecer regimes totalitários. O fascismo e o nazismo triunfaram porque as democracias da época permitiram sua destruição interna.

A análise traça um paralelo com eventos recentes no Brasil, indicando que o bolsonarismo, descrito como uma forma de fascismo, também chegou ao poder por via democrática, impulsionado pelo 'lavajatismo' e o antipetismo. Esse processo teria varrido a direita tradicional, dando lugar a figuras ligadas à milícia e ao antidemocratismo, resultando na eleição de um presidente com postura negacionista e antidemocrática.

A democracia brasileira, no entanto, não foi suprimida como na Itália e Alemanha devido a uma reação. A defesa da democracia partiu de instituições como o Supremo Tribunal Federal e da união das forças democráticas em torno da candidatura de Lula, que derrotou o fascismo e seus intentos de golpe. A imprensa também teria desempenhado um papel crucial ao reagir a tempo.

A irracionalidade do fascismo e a importância do voto democrático

A experiência histórica sugere que considerar candidaturas ligadas a tais movimentos como 'normais' ou alternativas viáveis seria um 'suicídio democrático'. O DNA do totalitarismo é inerente ao bolsonarismo, e a natureza do fascismo é abolir a democracia. Diálogo racional com fascistas é ineficaz, pois o fascismo é caracterizado por sua irracionalidade e instinto destruidor, conforme observado por Marcuse.

Portanto, é crucial para os defensores da democracia, independentemente de suas preferências políticas, exercerem o dever cívico nas próximas eleições. O voto é apresentado como uma ferramenta para salvar o Brasil e sua democracia, colocando-se do 'lado certo da História', que, em todas as circunstâncias, é o lado da democracia.