Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e divulgadas nesta quinta-feira (24) pela revista Veja e confirmadas pela Folha de S.Paulo, revelam uma grande proximidade pessoal entre o banqueiro e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado e do Congresso Nacional. Os diálogos mostram expressões como “Fala, meu amor” e “Sou seu irmão!!! Pra vida toda!!”, usadas por Alcolumbre.
Em uma das conversas, de 1º de fevereiro de 2025, quando Alcolumbre foi reeleito para a presidência do Senado, Vorcaro o parabenizou, ao que o senador agradeceu pelo “carinho e amizade fraterna”. Posteriormente, em março do mesmo ano, Alcolumbre reforçou o laço, recebendo como resposta de Vorcaro a garantia de sua disponibilidade “a qualquer tempo pra qualquer coisa”.
Festas e Contatos Políticos
As mensagens também mencionam festas e encontros privados, incluindo um grupo de WhatsApp chamado “Macallan”. Nesse grupo, Vorcaro e o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria trocavam mensagens sobre eventos e faziam comentários sobre Alcolumbre. Em outubro de 2023, houve uma brincadeira de Faria sobre o uso do Google Tradutor por Alcolumbre, após Vorcaro citar uma mulher em um encontro. Em outro momento, o banqueiro enviou diretamente a Alcolumbre informações sobre uma festa, com detalhes de horário e vestimenta.
Conversas de março de 2024, também publicadas pela Veja, mostram Vorcaro e Faria discutindo a organização de um evento em Londres, paralelo a um fórum, e a presença de mulheres. Faria mencionou um “pacto com Davi” sobre a confidencialidade do ocorrido. Fábio Faria, em nota, contestou a interpretação das mensagens, afirmando que se referiam à reserva de suítes em Londres para empresários interessados no clube Queens Park Rangers, sem a participação de Alcolumbre na viagem.
Implicações Políticas e Respostas
A revelação da proximidade entre Alcolumbre e Vorcaro ganha relevância política, especialmente porque Alcolumbre esteve envolvido nas discussões sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Em maio deste ano, Alcolumbre utilizou argumentos regimentais para adiar a instalação da CPI, alegando que o assunto não era prioritário. Meses depois, as relações políticas do Banco Master se tornaram um dos focos de investigação em Brasília.
As investigações também apontam para a relação de Vorcaro com o Amapá, estado de Alcolumbre, especificamente operações do Banco Master com a Amprev, fundo de previdência dos servidores estaduais, onde o irmão de Alcolumbre atuava no conselho.
Em outro diálogo, de julho de 2025, Vorcaro buscou informações sobre o Banco Central, que analisava a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Após tentar contato com Alcolumbre, Vorcaro procurou Hugo Motta, presidente da Câmara, que informou que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, visitaria Alcolumbre após uma reunião. O conteúdo desse encontro ou qualquer irregularidade não foram esclarecidos pelas mensagens.
Após a publicação das mensagens, Davi Alcolumbre divulgou uma nota, classificando a reportagem da Veja como um “injusto ataque” e negando qualquer ilegalidade nas comunicações. A Presidência do Senado afirmou que as mensagens têm caráter pessoal e não indicam infrações. Alcolumbre declarou que sabe a origem das acusações e que tomará medidas judiciais para reparar danos e buscar o que considera a verdade.
Independentemente da disputa jurídica, as mensagens documentam uma relação pessoal mais estreita do que era publicamente conhecido entre Davi Alcolumbre e Daniel Vorcaro. O tratamento informal, as declarações de amizade, os encontros privados e os contatos políticos adicionam um novo elemento às discussões sobre as ramificações do caso Banco Master na capital federal.






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