247 – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) nomeou o ex-presidente-executivo da Vale Fabio Schvartsman para o cargo de diretor-presidente a partir desta quinta-feira (3). Ele substituirá o atual CEO Benjamin Steinbruch, que deixará o comando executivo após 24 anos e reassumirá a presidência do conselho de administração.
Schvartsman terá como principal tarefa executar o plano de redução da dívida da CSN. A estratégia prevê a venda de ativos, com a negociação da CSN Cimentos em estágio mais avançado e expectativa de conclusão até novembro.
Dívida e venda de ativos
A dívida líquida consolidada da CSN atingiu R$ 42,14 bilhões em 30 de junho. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos 12 meses anteriores, ficou em 3,49 vezes, alta de 0,14 ponto em relação ao primeiro trimestre.
A companhia encerrou o segundo trimestre com R$ 15,4 bilhões em caixa e equivalentes. O Ebitda ajustado somou R$ 2,77 bilhões, enquanto o prejuízo líquido alcançou R$ 773,1 milhões. No primeiro semestre, as perdas totalizaram R$ 1,3 bilhão.
“O Fábio vem com a missão de desalavancar a CSN, dentro do que for possível, para que a gente consiga ter uma redução da dívida de forma significativa, para continuar nosso trabalho, e não pagando essa carga de juros absurda e desnecessária”, afirmou Steinbruch.
A CSN já recebeu propostas pela unidade de cimentos. O processo de seleção do comprador deve avançar nos próximos 45 dias, segundo a previsão apresentada pelo empresário.
“A gente começou, há cerca de duas semanas, o processo bid, e agora eu acredito em mais uns 45 dias para discutir a formalização e a escolha da melhor proposta”, declarou.
O programa de desinvestimentos tem como meta diminuir a dívida entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões. O valor não depende exclusivamente da venda da divisão de cimentos e inclui outras operações planejadas pelo grupo.
“O nosso plano é de desalavancar entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões, dentro do processo que está implementado”, disse Steinbruch.
A CSN também avalia vender participações minoritárias em infraestrutura e energia, além de unidades independentes no exterior. O planejamento inclui ainda a busca por um parceiro para a área siderúrgica.
“Depois do cimento, vamos trabalhar em participações minoritárias na infraestrutura e energia, venda de unidades independentes no exterior, e depois trazer parceiro para siderurgia para avançar em inovação e tecnologia.”
A CSN Cimentos detém 21% do mercado brasileiro, segundo os números apresentados por Steinbruch. A empresa ocupa a segunda posição no setor, atrás da Votorantim Cimentos, com participação de 35%.
Mudança no comando
Steinbruch exerce a presidência executiva da CSN desde abril de 2002 e integra o conselho de administração desde 1993. Ele presidiu o colegiado entre 1995 e 2023. A posição estava vaga e voltará a ser ocupada pelo empresário.
O processo de escolha do novo CEO começou há aproximadamente três anos. Steinbruch consultou profissionais do mercado antes de definir Schvartsman como sucessor e permanecerá envolvido nas decisões estratégicas e no relacionamento institucional da empresa.
“Essa é realmente uma questão. Parte da minha vida está aqui. São 33 anos. É um momento histórico de mudança. Pretendo continuar fazendo muita coisa, só que no conselho. Tenho uma ação importante do ponto de vista estratégico e de relacionamento”, afirmou.
A passagem das funções executivas será acompanhada por Steinbruch durante o período inicial da nova gestão. “A gente vai fazer essa transição de forma imediata, mas com uma grande proximidade. Estarei disponível para ajudar o Fábio.”
Trajetória de Schvartsman
Schvartsman trabalhou por 22 anos no Grupo Ultra, onde chegou ao cargo de diretor financeiro. Ele comandou a Klabin entre 2011 e 2017 e presidiu a Vale de 2017 a 2019. Desde 2022, integra o conselho de administração da Vibra Energia.
O executivo estava à frente da Vale quando a barragem da mina Córrego do Feijão se rompeu em Brumadinho, em janeiro de 2019. A tragédia deixou 272 mortos.
“A carreira do Fábio é diferenciada. Aconteceu uma fatalidade durante o período em que ele era CEO e que realmente marcou”, declarou Steinbruch.
As ações da CSN (CSNA3) acumulavam queda de 31,6% em 2026 e de 20% em 12 meses na data do anúncio. A companhia tinha valor de mercado de aproximadamente R$ 7,9 bilhões.






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