O papa Leão XIV declarou que o avanço de movimentos de extrema direita e sua conexão com certas expressões religiosas não correspondem a uma representação genuína do cristianismo. A afirmação foi feita durante uma coletiva de imprensa a bordo do voo que o levava de volta de Metz, na França, para Roma, conforme divulgado pela agência ANSA. O pontífice enfatizou a necessidade de resgatar os princípios do Evangelho, que se fundamentam na compreensão, na compaixão e no acolhimento.
Ao comentar o cenário político global, Robert Francis Prevost expressou preocupação com o “crescimento de grupos de extrema direita” em diversas regiões e mencionou a Alemanha como exemplo da convergência entre posições políticas e manifestações religiosas. Segundo Leão XIV, esse fenômeno constitui “o surgimento de expressões que combinam essas posições políticas com uma certa forma de religiosidade”, algo que, em sua visão, não reflete a verdadeira essência cristã.
Rejeição ao uso da religião para justificar violência
O Papa rejeitou veementemente a ideia de que essa vertente de religiosidade possa ser considerada uma manifestação legítima da fé cristã. Ele destacou que essa perspectiva é compartilhada por líderes religiosos alemães. “Uma religiosidade que, não só na minha opinião, mas também na opinião dos líderes das Igrejas Católica e Protestante na Alemanha, não representa uma expressão autêntica do cristianismo. Devemos retornar aos valores do Evangelho, que não se baseiam no ódio e na divisão, mas na compreensão, na compaixão e no acompanhamento”, declarou.
As declarações do pontífice ocorreram no mesmo dia em que, durante sua visita a Metz, Leão XIV condenou a utilização do nome de Deus para legitimar atos de violência e opressão. Ele defendeu o diálogo inter-religioso como uma ferramenta essencial para a construção da paz, reiterando que qualquer uso da religião para endossar a violência é uma profanação e que nada que desrespeite a dignidade humana pode ser considerado de inspiração divina.
Crítica aos gastos militares e apelo ao diálogo
Além de abordar a relação entre política e religião, Leão XIV fez uma crítica contundente ao aumento dos gastos militares e aos interesses econômicos por trás da indústria bélica. O pontífice alertou que o mundo “continua se armando e gastando somas enormes na gigantesca indústria militar”, que ele descreveu como “uma indústria da qual alguns poucos privilegiados obtêm lucros exorbitantes promovendo a guerra”.
O Papa argumentou que os recursos investidos em armamentos poderiam ser direcionados para resolver problemas sociais urgentes, como a fome, a crise habitacional e o desemprego. Ele concluiu suas declarações defendendo o diálogo entre líderes como a única forma de superar guerras e crises internacionais. “Devemos continuar a instar os líderes a se encontrarem, a sentarem-se à mesma mesa, a dialogarem e a buscarem soluções para esses problemas, em vez de persistirem em guerras que já não fazem sentido.”






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