Flávio Bolsonaro, senador e um dos principais nomes cotados para a eleição presidencial de 2026, enfrenta um cenário complexo de questionamentos sobre sua trajetória política. A poucos dias do pleito, a figura do parlamentar, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é marcada por investigações e denúncias que envolvem desde o caso das 'rachadinhas' até supostas ligações com personagens investigados em outros processos.
A disputa eleitoral se desenha com um empate técnico nas pesquisas entre os dois candidatos líderes, representando visões de país bastante distintas. A presença de Flávio Bolsonaro neste cenário gera debates intensos sobre os rumos do Brasil, especialmente considerando as acusações de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, que pesam sobre ele.
Rachadinhas e investigações atuais
Um dos episódios mais conhecidos que envolvem Flávio Bolsonaro é o das 'rachadinhas', quando ainda era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) investigou a suspeita de que assessores devolviam parte de seus salários ao então deputado, e que esses valores teriam sido lavados por meio de uma franquia de loja de chocolates da qual era sócio. Apesar das evidências coletadas, o caso não chegou a uma sentença de mérito, pois provas financeiras foram consideradas inválidas após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringiram o compartilhamento de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) com o Ministério Público.
Mais recentemente, o senador foi alvo de novas reportagens que adicionam elementos às suas relações. Em 2023, uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil foi destinada a um projeto esportivo na Taquara, Rio de Janeiro, a pedido de Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”. Este indivíduo é apontado nas investigações do caso Marielle Franco como elo entre os executores e os mandantes, e foi condenado por integrar uma organização criminosa ligada aos irmãos Brazão.
Novas denúncias e conexões polêmicas
A Revista Piauí trouxe à tona informações sobre o financiamento do filme Dark Horse, onde o empresário Daniel Vorcaro teria repassado mais de US$ 1,6 milhão em setembro de 2025, dias após Flávio cobrar parcelas atrasadas, contradizendo a afirmação anterior do senador de que os pagamentos haviam terminado meses antes. Com este novo repasse, o financiamento de Vorcaro ao filme atingiu US$ 12,3 milhões. A Polícia Federal investiga se a estrutura do filme foi usada para lavagem de dinheiro ou triangulação de capitais.
Em março de 2025, Flávio Bolsonaro participou de um safári na África do Sul com o advogado Willer Tomaz e o senador Weverton Rocha. Ambos são investigados no caso das fraudes contra aposentados do INSS, e a Polícia Federal considera Tomaz uma peça central do esquema, com movimentações atípicas de cerca de R$ 45,5 milhões em 2021. A ligação entre Flávio e Tomaz é reforçada pelo uso de um imóvel ligado ao advogado na campanha presidencial de 2026, além de viagens internacionais conjuntas. Tomaz e os envolvidos negam irregularidades, alegando que as relações são apenas pessoais.
Dados extraídos pela PF do celular de Daniel Vorcaro, revelados pelo jornal Estadão, indicam contatos diários e insistentes de Flávio Bolsonaro com o empresário nos quatro dias que antecederam a prisão do ex-banqueiro. Essa sucessão de controvérsias coloca em xeque a imagem de probidade que o senador busca construir, contrastando com sua trajetória política e pessoal.
Apesar do histórico de escândalos, Flávio Bolsonaro mantém um patamar de apoio que o coloca em empate técnico com o atual presidente nas pesquisas. A estratégia de sua campanha, segundo críticos, assemelha-se à de Donald Trump, utilizando a repetição de mentiras para moldar a percepção pública e atacar adversários. A proposta econômica de um governo Flávio Bolsonaro, descrita como ultraliberal e alinhada aos interesses dos Estados Unidos, também tem gerado debates sobre a soberania nacional.






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