Os Estados Unidos ainda deverão depender de importações de terras raras da China ao longo da década de 2030, apesar dos esforços para ampliar a produção doméstica. O tema deve entrar na reunião desta quinta-feira (24) entre Donald Trump e Xi Jinping, em Washington.
Dados da consultoria Benchmark Mineral Intelligence citados pela Reuters mostram que a produção americana dos dois elementos de terras raras mais usados mais que triplicou desde o retorno de Trump à Casa Branca. Ainda assim, o país supre apenas 42% da própria demanda.
Dependência ainda deve persistir
A projeção é que, em cinco anos, quase um quarto do consumo americano continue dependendo de compras externas. Também está na pauta a possível extensão da suspensão de restrições chinesas às exportações, hoje válida até 10 de novembro.
A China segue na liderança global na mineração e no refino desses materiais. A meta anunciada pela Casa Branca de encerrar as importações chinesas até janeiro de 2027 é vista como praticamente inalcançável diante da capacidade atual dos EUA.
“O objetivo não é que os EUA substituam a China como fornecedor global dominante”, afirmou Coco Zhang, analista do ING, à Reuters. “O objetivo mais realista é construir uma cadeia de suprimentos alternativa significativa que possa proteger setores estratégicos durante períodos de instabilidade geopolítica.”
Investimentos e gargalos na cadeia
As terras raras precisam passar por etapas de separação e processamento antes de serem usadas em ímãs e outros componentes de armamentos, automóveis e computadores. Esse ponto ainda é um obstáculo para os americanos, principalmente no caso das terras raras pesadas, usadas em aplicações militares.
A Benchmark prevê avanço da produção nos EUA até 2031, mas em volume ainda insuficiente para atender ao mercado interno. Todd Downing, da consultoria Project Blue, disse que a posição dos países ocidentais para reduzir a dependência da China está mais forte, embora substituir a oferta chinesa em toda a cadeia seja muito mais difícil.
O governo Trump destinou bilhões de dólares a empresas do setor, como MP Materials, USA Rare Earth e Energy Fuels. Neste mês, a MP Materials começou a fornecer à General Motors ímãs feitos com terras raras refinadas pela própria empresa, dentro de um acordo firmado em 2021.
Outras companhias também tentam ampliar a capacidade de refino. A USA Rare Earth comprou uma mina no Brasil e uma unidade de processamento na França, enquanto a Energy Fuels fechou a aquisição de uma empresa ligada a uma fábrica de ímãs na Carolina do Sul. Já a Nth Cycle anunciou nesta semana um acordo de fornecimento de US$ 1 bilhão com a Glencore.
A pressão sobre a cadeia ficou evidente quando o fornecimento chinês foi interrompido. No ano passado, a Ford suspendeu temporariamente a produção em fábricas nos EUA após a escassez de terras raras vindas da China. Neste mês, a Reuters informou ainda que fornecedores chineses passaram a reter remessas destinadas ao mercado americano por medo de desagradar Pequim.






Comentários
Seja o primeiro a comentar.