Os Estados Unidos anunciaram que irão formalizar suas exigências para iniciar as negociações com o Brasil sobre a tarifa de 37,5% imposta pelo governo de Donald Trump. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, prometeu apresentar um documento detalhando os termos da discussão, conforme noticiado pela jornalista Mariana Sanches do UOL. A expectativa do lado brasileiro é que o texto seja entregue nas próximas semanas, possivelmente no início de novembro, e estabeleça as bases para as conversas comerciais.

A promessa foi feita durante um encontro em Milwaukee, Wisconsin, à margem da reunião ministerial do G20, envolvendo Greer, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira. Este foi o primeiro encontro presencial bilateral de alto nível desde que os EUA impuseram a sobretaxa em julho, que afeta cerca de 20% dos produtos brasileiros importados, incluindo setores como têxteis, calçados e móveis de madeira.

Documento definirá alcance da negociação

O ministro Elias Rosa expressou que Greer se mostrou disposto a buscar um acordo comercial até dezembro, mas reconheceu a complexidade da negociação. O principal interesse do Brasil é que os EUA detalhem por escrito os setores envolvidos, as tarifas a serem discutidas, condições de exportação, questões de competitividade e os mercados relevantes. A formalização das demandas permitiria delimitar o alcance da negociação e evitar que novas exigências fossem adicionadas ao longo do processo, algo que o presidente Lula tem criticado sobre as dinâmicas anteriores.

Apesar do compromisso de formalizar as exigências, os Estados Unidos não aceitaram o pedido brasileiro para suspender a aplicação das tarifas durante o período de negociação. As negociações devem ganhar força após as eleições presidenciais no Brasil, já que não havia expectativa de anúncios substanciais antes do pleito. Setores da administração Trump já teriam manifestado preferência pelo senador Flávio Bolsonaro, adversário de Lula.

Temas esperados na pauta comercial

O documento prometido pelos EUA poderá abranger diversos temas de interesse, como a regulação das grandes empresas de tecnologia (big techs) e a facilitação do comércio de produtos industriais, eletroeletrônicos e químicos. O etanol, que já foi pauta em negociações anteriores, também deverá ser abordado. Há também um interesse esperado dos EUA nas terras-raras brasileiras, tanto na exploração quanto no processamento e refino desses recursos minerais.