Durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, nesta terça-feira (22), o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusou Israel de promover genocídio na Faixa de Gaza, denunciando crimes de guerra e a escalada da violência de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada.

A fala causou reação imediata no plenário: a delegação israelense deixou o local enquanto representantes palestinos aplaudiam o líder turco. Erdogan descreveu Gaza como "o campo de concentração mais desumano e vergonhoso de nosso tempo" e afirmou que a comunidade internacional não pode tratar como normal o que ocorre no território palestino.

"Estamos diante de uma mentalidade genocida que nunca se satisfaz em matar", disse Erdogan, segundo a Al Jazeera. Ele acrescentou que nenhuma pessoa dotada de "humanidade, misericórdia ou consciência" poderia ignorar a situação.

Críticas ao cessar-fogo e à ONU

O presidente turco afirmou que a Turquia contribuiu, com apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o estabelecimento de um cessar-fogo, mas acusou Israel de continuar as operações militares. Segundo ele, mais de 1.300 civis foram mortos em Gaza apesar do acordo.

Erdogan também criticou a própria Organização das Nações Unidas, lembrando que a entidade foi criada há 81 anos para preservar a paz, mas falhou diante dos conflitos atuais. Para ele, a ONU tornou-se "disfuncional" e está "sangrando" diante das crises na Palestina, no Líbano e no Sudão.

Outros temas e apoio

O discurso abordou ainda a ausência do presidente palestino Mahmoud Abbas, impedido de comparecer à Assembleia Geral após os Estados Unidos negarem seu visto de entrada. Erdogan garantiu que a Turquia continuará defendendo a criação de um Estado palestino "livre e soberano".

Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, o líder turco defendeu o encerramento do conflito e afirmou que uma solução deve preservar a soberania e a integridade territorial ucranianas.

As declarações de Erdogan ocorrem após uma comissão independente da ONU ter encontrado fundamentos razoáveis para determinar genocídio contra palestinos em Gaza, conclusão rejeitada por Israel. No mesmo dia, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva também condenou a violência contra os palestinos em seu discurso na Assembleia Geral, dizendo que a "dor e o trauma" em Gaza permanecerão por gerações.