O governo federal lançou o Desenrola Brasil 3.0, uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas que apresenta um modelo distinto das versões anteriores. A iniciativa, autorizada por medida provisória, permite que a União compre carteiras de créditos inadimplidos de pessoas físicas. Posteriormente, o governo oferecerá condições especiais de renegociação aos devedores.

Poderão ser incluídas dívidas que, em 25 de setembro de 2026, acumulem um atraso superior a 720 dias e inferior a 1.645 dias. Na prática, o programa se concentra em débitos inadimplidos há aproximadamente dois a quatro anos e meio.

Ação Direta da União

A principal inovação reside na participação direta da União na aquisição dessas carteiras. Em vez de atuar apenas como facilitador nas negociações entre credores e devedores, o governo poderá adquirir os créditos inadimplidos. Os descontos obtidos nessa operação serão utilizados para criar condições de pagamento mais favoráveis aos cidadãos.

A lógica por trás dessa abordagem é aproveitar o fato de que dívidas antigas geralmente são negociadas por valores abaixo do saldo original. Ao comprar essas carteiras com desconto, a União pode transferir parte dessa vantagem financeira ao cidadão endividado no momento da renegociação.

Impacto e Objetivos

O mecanismo busca solucionar dois problemas simultaneamente: permitir que pessoas com dívidas antigas recuperem sua capacidade financeira e remover do mercado um estoque de créditos inadimplidos que dificilmente seria recuperado integralmente pelos credores. A medida também visa contribuir para que consumidores negativados recuperem o acesso ao crédito.

A regularização de dívidas antigas tende a melhorar as condições para que essas pessoas voltem a consumir, contratar financiamentos e participar normalmente do sistema financeiro. O Desenrola Brasil foi concebido para combater o alto endividamento das famílias brasileiras e facilitar acordos, e a terceira versão aprofunda essa estratégia com a aquisição de créditos pelo próprio governo. O impacto fiscal efetivo dependerá do volume de carteiras adquiridas e das condições negociadas, com os desembolsos ocorrendo conforme as operações realizadas.