Durante um evento de campanha em Belém, no Pará, na segunda-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu Nossa Senhora Aparecida e a importância do respeito entre as diferentes crenças religiosas. A declaração surge após a padroeira do Brasil se tornar um ponto de discussão no cenário eleitoral, com a propagação de informações nas redes sociais ligadas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro.
Lula afirmou categoricamente que “enquanto eu for presidente da República, ninguém vai mexer com Nossa Senhora Aparecida”. Ele reforçou a necessidade de respeitar todas as religiões, incluindo as de matriz africana, destacando que “ninguém é dono da verdade”. A fala do presidente posiciona a defesa da liberdade religiosa como um pilar de seu discurso, em um período em que a religião ganhou destaque na campanha eleitoral.
Controvérsia e o papel do STF
A polêmica em torno de Nossa Senhora Aparecida surgiu após a circulação de conteúdos que supostamente associariam Flávio Bolsonaro a uma proposta para retirar o título de padroeira do Brasil da santa. O senador, por sua vez, negou qualquer intenção de apoiar tal medida. Ao incluir as religiões de matriz africana em sua manifestação, Lula ampliou a discussão para além da controvérsia católica, promovendo a tolerância religiosa como um princípio fundamental a ser observado pelo poder público.
A controvérsia sobre a remoção de publicações relacionadas à Nossa Senhora Aparecida nas redes sociais deve ser examinada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (30). Os ministros decidirão sobre a validação da decisão de Flávio Dino, que permitiu a permanência das postagens e questionou os poderes das plataformas digitais para remover conteúdo durante o processo eleitoral. O presidente do STF, Edson Fachin, será responsável por encaminhar a decisão de Dino ao plenário e definir a data de votação do tema.
Impacto nas pesquisas e outras pautas
A manifestação do presidente Lula ocorre em um momento de divulgação de pesquisas sobre a votação entre segmentos religiosos. Segundo levantamento da Quaest, divulgado na mesma segunda-feira, Lula registrou avanço nas intenções de voto entre eleitores católicos e evangélicos. Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula, apresentou queda no eleitorado evangélico, tendência observada tanto em simulações de primeiro quanto de segundo turno.
Em sua passagem pela capital paraense, o presidente também abordou outras pautas, como a defesa de uma reforma política e outra no Poder Judiciário. Lula criticou o chamado orçamento secreto, que se refere às emendas de relator no Congresso Nacional. Ele também criticou a alegada interferência do governo Donald Trump no processo eleitoral brasileiro e defendeu a soberania nacional.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou uma investigação sobre uma rede de perfis no Instagram. A campanha de Lula denunciou ao TSE um aumento nas publicações no formato de “collab” para beneficiar Flávio Bolsonaro e solicitou apuração sobre uma possível interferência externa. As “collabs” são postagens conjuntas que ampliam o alcance do conteúdo. Entre 15 de agosto e 7 de setembro, foram identificadas 492 publicações em collab envolvendo 324 perfis. De 8 a 17 de setembro, o número saltou para 1.334 publicações com 168 novos coautores.






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