A participação dos eleitores, a taxa de abstenção e a possível transferência de votos de outros candidatos podem determinar o resultado da eleição entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no próximo domingo (4). Essa foi a análise de representantes de institutos de pesquisa durante debate promovido pela CNN Brasil, na quarta-feira (30).

Os especialistas destacaram que a mobilização da população e as decisões tomadas nos últimos dias de campanha ainda podem influenciar o desfecho. As pesquisas atuais mostram Lula com vantagem ou em empate técnico com Flávio no primeiro turno, com margens de erro significativas. Em simulações de segundo turno, o cenário é de empate técnico.

Mobilização do eleitorado e indecisos

Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, apontou três elementos cruciais para a dinâmica da disputa: a migração de votos de candidatos com menor apoio, a repercussão de notícias e debates, e o engajamento do eleitorado. Ele enfatizou que a disposição dos eleitores em comparecer às urnas será fundamental para o resultado final, um comportamento que os institutos conseguem captar com mais precisão às vésperas da votação.

A transferência de votos de eleitores de nomes como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) representa uma das incertezas da reta final. Além disso, Bruno Soller, analista e sócio do Real Time Big Data, revelou que cerca de 12% a 13% dos eleitores ainda estavam indecisos sobre em quem votar, conforme o último levantamento interno da empresa. Soller também previu uma abstenção maior do que na eleição anterior.

Insatisfação e volatilidade

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, chamou a atenção para os eleitores que, apesar de desaprovarem a gestão Lula (49%), não demonstram intenção de votar em Flávio Bolsonaro. Ele descreveu esse grupo, frequentemente composto por pessoas com maior escolaridade, classe média e moradores de grandes centros urbanos, como a "chave dessa eleição". Cila Schulman, CEO do Instituto de Pesquisa Ideia, observou a volatilidade nas intenções de voto e o desânimo do eleitorado com as opções principais, fenômeno que ela chamou de “antipetismo de chegada”, onde eleitores de candidatos menores migram para a oposição ao PT.

Yuri Sanches, da AtlasIntel, analisou a dificuldade do governo em aumentar sua aprovação durante a campanha, ressaltando que Lula foi eleito em 2022 com um "voto crítico" e com rejeições já consolidadas. Ele mencionou a pequena margem de vitória em 2022 e a falta de conversão automática de medidas como a isenção do Imposto de Renda em apoio duradouro. A rejeição aos adversários também foi um fator destacado por Soller, que interpretou a disputa como possivelmente a “eleição mais negativa desde a redemocratização”, onde a tentativa de derrotar o outro lado prevalece sobre a identificação com o próprio candidato.

Divisão de eleitores por renda, religião e região

As pesquisas mostram que as preferências eleitorais seguem divisões socioeconômicas e geográficas. Lula mantém vantagem entre eleitores com renda de até dois salários mínimos e entre católicos, enquanto Flávio Bolsonaro tem maior apoio em faixas de renda superiores e entre evangélicos. Regionalmente, o Nordeste favorece Lula, e o Sul demonstra maior apoio a Flávio Bolsonaro.