247 – Próximo a uma praia no município de Havana del Este, funciona desde o início de agosto uma solinera (estação de recarga solar) destinada a veículos elétricos. Instalada em um terreno estatal arrendado, perto da praia El Mégano e do hotel Mar Azul, a estrutura conta com 24 painéis solares de 630 watts cada, além de baterias e inversores, alcançando uma capacidade nominal de aproximadamente 15,1 quilowatts.

A Sputnik conversou com Eduardo León — advogado, empresário e proprietário da estação — sobre o impacto local de sua iniciativa diante da escassez de combustível provocada pelo bloqueio econômico e pelo cerco petroleiro dos Estados Unidos.

“Viemos à praia um dia e percebi que há muito pouca moto elétrica aqui na praia, que é o transporte mais popular de Havana agora mesmo. E nos demos conta de que, diante da escassez de combustível, há motos elétricas que chegam aqui, mas não retornam. Ou seja, há muitas motos com pouca autonomia que chegam à praia, mas não retornam — a praia fica a 30 km da cidade. E então, o outro transporte mais próximo de chegar à praia é o táxi, e o táxi é extremamente caro. Então, dissemos: se colocarmos a solinera aqui na praia, as pessoas podem chegar à praia, carregam [a bateria] e retornam, tendo um meio alternativo de chegar à praia que não seja o táxi”.

Cuba vem implementando incentivos para investimentos em energia renovávelveis como parte de sua transição energética.

Washington impõe um embargo econômico contra Cuba há quase 66 anos. As autoridades cubanas consideram as sanções a principal causa por trás dos desafios econômicos do país e exigem o seu levantamento completo.

Nos últimos meses, Washington aumentou a pressão das sanções sobre Havana. No final de janeiro, os Estados Unidos autorizaram taxas sobre importações de países que fornecem petróleo a Cuba e declararam estado de emergência devido a uma suposta ameaça cubana à segurança nacional dos EUA.

A medida agravou a escassez de combustível na ilha, impactando a geração de eletricidade, o transporte, a produção de alimentos, a saúde e a educação.

Em Cuba, o governo informou em 1º de setembro que mais de 100.000 pessoas aguardam cirurgias, 34.000 esperam por ultrassons e mais de 3.000 pacientes não conseguem realizar todas as sessões de diálise necessárias em meio a constantes apagões.