O emir do Catar, Tamim bin Hamad, afirmou na Assembleia Geral da ONU que a devastação na Faixa de Gaza constitui genocídio e criticou a resposta internacional à crise. Em discurso na terça-feira (22), na abertura da 81ª sessão do órgão, em Nova York, ele cobrou de Israel o fim definitivo das operações militares, a retirada de suas forças do território, o levantamento do bloqueio e a entrada de ajuda humanitária sem condições.
Segundo a agência Prensa Latina, o emir relacionou a situação dos palestinos à credibilidade da ordem internacional. Ele declarou que é impossível falar de uma ordem justa enquanto a Palestina for um ponto cego, classificando o que ocorreu em Gaza como um genocídio em larga escala e uma mancha na consciência de toda a humanidade.
Críticas à resposta global
Tamim bin Hamad afirmou que a dimensão da crise contrasta com as medidas adotadas para interrompê-la. Ele disse que as gerações futuras ficarão espantadas com a enorme discrepância entre a catástrofe e o nível da resposta internacional para contê-la, e que a catástrofe continua.
O líder catari acusou dirigentes israelenses de apresentar o deslocamento da população de Gaza como solução para a guerra, sob o nome de “migração”. Também questionou o uso de acusações de antissemitismo e teorias conspiratórias como resposta às críticas internacionais às ações de Israel, mencionando registros audiovisuais de soldados israelenses se vangloriando de seus atos enquanto imagens dos crimes circulam pelo mundo.
Mediação e Cisjordânia
Ao tratar das negociações, o emir destacou a atuação do Catar como mediador para reduzir o sofrimento dos civis, viabilizar libertações e alcançar um cessar-fogo duradouro. Ele defendeu que Israel cumpra suas obrigações “integralmente e sem reservas” e pediu que a comunidade internacional não deixe a execução dos acordos “à mercê dos cálculos de uma parte habituada a quebrar as suas promessas sempre que tem carta branca no cenário político”.
O discurso também abordou a Cisjordânia ocupada. Tamim bin Hamad classificou como “uma ferida aberta” a perseguição aos palestinos, a violência dos colonos e as violações de locais sagrados islâmicos e cristãos, incluindo a Mesquita de Al-Aqsa. Reiterou o apoio do Catar à criação de um Estado palestino independente, com Jerusalém Oriental como capital, e pediu que a comunidade internacional assuma suas responsabilidades em relação aos territórios ocupados.






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