O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro declarou que pretende investigar e cobrar integrantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Itamaraty, que teriam agido para “sabotar” o governo de seu pai, Jair Bolsonaro. A medida seria implementada caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, seja eleito presidente da República. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro disse ter levantado informações sobre embaixadores e diplomatas, prometendo estar “na cola” daqueles que acusa de terem atuado contra a gestão anterior.
“Então, meu caro servidor do Itamaraty, que ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade porque eu vou estar na sua cola. Se você não fez isso, parabéns. Você fará parte do time que irá resgatar a credibilidade do Itamaraty. Que vai virar a página de serem servidores de corruptos e filhos de corruptos para passar a servir o povo Brasileiro”, afirmou Eduardo.
Embaixador na Espanha entre os alvos
Entre os diplomatas mencionados por Eduardo Bolsonaro está Luiz Alberto Figueiredo Machado, atual embaixador do Brasil na Espanha e ex-ministro das Relações Exteriores. No vídeo, Eduardo reproduziu um áudio, atribuído à lobista Roberta Luchsinger, que indicaria uma conversa sobre a mudança de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para Madri. Após a reprodução, Eduardo acusou a representação diplomática brasileira na Espanha de ter concedido tratamento preferencial a Fábio Luís, comparando a situação à de brasileiros que deixaram o país após os eventos de 8 de janeiro de 2023.
Luiz Alberto Figueiredo Machado é diplomata de carreira e chefiou o Ministério das Relações Exteriores entre 2013 e 2014. Sua nomeação para a Embaixada do Brasil na Espanha e em Andorra foi aprovada pelo Senado em julho de 2025. Eduardo Bolsonaro indicou que o embaixador estaria entre os primeiros a deixar seu cargo caso Flávio Bolsonaro chegasse ao Palácio do Planalto. “É por isso que, Flávio Bolsonaro sendo eleito, certamente, um dos primeiros a saírem do posto será o embaixador do Brasil na Espanha. Para dar o exemplo de que isso aí não acontecerá.”
Mapeamento de diplomatas e denúncias de resistência
O ex-deputado afirmou ter acompanhado a movimentação de integrantes do corpo diplomático durante a transição entre o governo de Jair Bolsonaro e o terceiro mandato de Lula. Segundo Eduardo, o levantamento foi feito pessoalmente e abrangeu embaixadores e outros diplomatas do MRE. Ele mencionou ainda reportagens do jornalista Jamil Chade que relatavam a existência de um movimento de resistência dentro do Itamaraty durante a administração de Jair Bolsonaro, com o objetivo de reduzir crises diplomáticas e preservar as relações internacionais do Brasil.
Uma reportagem do UOL de dezembro de 2022, baseada em depoimentos de servidores e diplomatas, descreveu essa rede de resistência, que teria buscado amenizar os efeitos de algumas decisões do governo Bolsonaro. Eduardo mencionou essas reportagens para sustentar sua acusação de que integrantes do Ministério das Relações Exteriores teriam atuado contra o governo de seu pai. “Eles ficaram tão à vontade que colocaram isso na matéria do Jamil Chade de maneira heroica”, declarou. É importante notar que os relatos de resistência interna não confirmam a participação de todos os diplomatas genericamente mencionados por Eduardo em irregularidades.






Comentários
Seja o primeiro a comentar.