O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma sabatina no programa Canal Livre, da Band, neste domingo (27), onde discutiu temas importantes para o cenário nacional e a campanha presidencial de 2026. Entre os assuntos abordados estiveram a proibição das apostas de quota fixa (bets), a reformulação do processo de indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a reforma política, segurança pública, a situação fiscal do país e a Previdência.
Fim das bets e mudança na escolha do STF
Um dos pontos centrais da entrevista foi a decisão do governo de proibir as apostas de quota fixa. Lula justificou a medida relacionando-a ao endividamento das famílias e aos efeitos da ludopatia, rejeitando a ideia de que a retirada dos patrocínios inviabilizaria o futebol brasileiro. Ele mencionou a Medida Provisória 1.394, que veda a exploração e publicidade dessas apostas, e afirmou que a proibição visa proteger o país. O presidente rebateu a preocupação de que clubes seriam afetados, citando que o futebol já foi campeão mundial sem esse tipo de financiamento.
Lula também defendeu uma revisão no sistema de escolha dos ministros do STF. Ele considera insuficiente que apenas o presidente da República faça a indicação e propôs a discussão de um mecanismo que envolva um colegiado e representantes da sociedade civil. O objetivo seria criar um "crivo" antes do envio dos nomes ao Senado. Pela Constituição, ministros do STF são nomeados pelo presidente após aprovação do Senado. Lula expressou preocupação com o modelo atual, afirmando que não há garantia de como um indicado agirá após a posse, e sugeriu debater mandatos para os membros da Corte.
Reforma política, economia e segurança
A reforma política foi outro tópico extenso da entrevista. Lula associou a polarização atual à fragilidade programática dos partidos e defendeu mudanças nas regras para estimular legendas com programas e bandeiras mais definidos. Ele admitiu que a reforma seria difícil, pois mexe com interesses de deputados e partidos. O presidente também mudou sua posição sobre o financiamento público de partidos e campanhas, declarando-se contrário, pois acredita que o sistema "apodreceu a política". Ele criticou o orçamento secreto e manifestou a intenção de abrir uma nova discussão sobre a organização partidária caso seja reeleito.
Na área de segurança pública, Lula defendeu uma maior participação da União no combate ao crime organizado, priorizando inteligência e investigação financeira para atingir líderes e financiadores. O objetivo é "asfixiar economicamente" o crime organizado, que ele descreveu como uma "indústria multinacional", focando no "andar de cima" das organizações. O presidente também defendeu a PEC da Segurança Pública e a criação de um Ministério da Segurança Pública, além de propor que a retomada de territórios dominados pelo crime seja acompanhada de serviços públicos como escolas e atividades culturais.
Economicamente, Lula planeja reduzir a dívida pública em relação ao PIB por meio do crescimento econômico, mantendo programas sociais e investimentos em infraestrutura. Ele expressou confiança nas reservas internacionais e defendeu a redução dos juros para impulsionar o crescimento. O presidente afirmou que sua prioridade é equilibrar as contas com a preservação de políticas para a população de menor renda, buscando aumentar a atividade econômica, empregos e salários. Sobre a Previdência, Lula não descartou futuras reformas, mas as condicionou à avaliação das necessidades do sistema, enfatizando que a geração de empregos e o aumento salarial são cruciais para fortalecer a arrecadação.






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