A decisão do Partido Social Democrático (PSD) do Distrito Federal de apoiar a reeleição da governadora Celina Leão (PP) gerou descontentamento entre parte dos integrantes da legenda. Em reunião interna realizada na sexta-feira (25), a maioria dos presentes manifestou preferência pela neutralidade do partido na disputa eleitoral, conforme apurou a coluna Painel, da Folha de São Paulo.

O encontro foi convocado para definir o rumo do PSD após a retirada de José Roberto Arruda da corrida pelo Governo do Distrito Federal. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia negado o registro de candidatura do ex-governador com base na Lei da Ficha Limpa, abrindo a necessidade de redefinição da estratégia partidária.

Reunião aponta para neutralidade

Com a presença de 24 candidatos a deputado distrital e membros da Executiva partidária, a reunião foi marcada por discussões sobre os critérios para o posicionamento do PSD. Ao final, uma votação simbólica indicou que a maioria dos participantes era contra o apoio a Celina Leão. Apenas Rogério Morro da Cruz, deputado distrital e postulante à reeleição, defendeu a chapa da governadora.

Apesar do resultado da votação interna, o presidente regional do PSD, Paulo Octávio, anunciou na segunda-feira (28) que o partido apoiaria a reeleição de Celina. A decisão gerou atritos, visto que a maioria dos presentes na reunião anterior havia defendido a neutralidade. Paulo Octávio, no entanto, afirmou que os integrantes teriam liberdade para seguir ou não a orientação partidária, declarando: “Vai quem quer. Estamos ouvindo a todos. Tem gente que quer, tem gente que não quer. Então, liberdade total”.

Críticas e posicionamentos individuais

O anúncio do apoio provocou reações de peso dentro do partido. José Roberto Arruda, que teve sua candidatura negada, usou as redes sociais para declarar que não votará em Celina nem em seu candidato a vice, Gustavo Rocha (Republicanos). “Eu não apoio, definitivamente, em nenhuma circunstância. Eu não apoio Celina e Gustavo Rocha”, afirmou.

Outro membro do PSD que esteve na reunião, o candidato a deputado distrital Dr. Vicenzo, também contestou a decisão. Ele afirmou que manterá sua independência em relação à postura adotada pela direção partidária. “Respeito a decisão do partido, mas mantenho a coerência e independência que o eleitor espera de mim. Não estou à venda”, declarou o candidato.