Um livro escrito por Flávio Bolsonaro em 2017, que narra a vida de Jair Bolsonaro até 2016, contém posições do autor favoráveis à ditadura militar e nega que o evento de 1964 tenha sido um golpe. A obra, de quase 200 páginas, também enaltece o coronel e torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra e expressa desconfiança em relação à segurança das urnas eletrônicas. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de São Paulo.
Ao longo do livro, Flávio Bolsonaro defende suas próprias opiniões e busca justificar declarações e posturas adotadas por seu pai. Ele também critica a maneira como a imprensa abordaria as manifestações do ex-mandatário. Entre os tópicos abordados estão a ditadura militar, os direitos humanos, o chamado “kit gay”, a redução da maioridade penal, a castração química para estupradores e a proposta da Escola sem Partido.
Ditadura militar e elogio a Ustra
Na biografia, Flávio rejeita a ideia de que a ação de 1964 foi um golpe militar. Ele questiona a versão presente nos livros do Ministério da Educação, argumentando que o afastamento de João Goulart ocorreu com o aval do Congresso. “Que golpe foi esse em que o Congresso, com respaldo constitucional, afasta um presidente?”, indaga na obra. O senador também sugere que os militares deveriam ser reconhecidos como heróis nacionais por, em sua interpretação, terem impedido que o Brasil se tornasse uma “ditadura socialista”.
Ao abordar a Lei da Anistia, Flávio afirma que ela “serviu apenas os terroristas” e argumenta que agentes do Estado continuam sendo perseguidos. A Comissão Nacional da Verdade é criticada no livro, sendo classificada como uma iniciativa revanchista. Flávio Bolsonaro ainda menciona que havia eleições durante o período que, segundo ele, “alguns gostam de chamar de ditadura”.
A biografia também aborda a homenagem feita por Jair Bolsonaro ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra em 2016. Ustra foi reconhecido como torturador pela Justiça. No livro, Flávio descreve o coronel como “um homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria”. O senador também questiona a responsabilidade do Exército pela morte do ex-deputado Rubens Paiva, embora o Estado brasileiro tenha reconhecido que Paiva morreu devido à repressão da ditadura.
Outros temas e defesa de Jair Bolsonaro
Outro episódio tratado é o massacre do Carandiru, ocorrido em São Paulo em 1992, que resultou em 111 mortos. Flávio defende que os policiais agiram em legítima defesa e menciona os antecedentes criminais de algumas das vítimas. “Quantos milhares de novas vítimas esses marginais poderiam ter feito?”, questiona no livro. A obra também apresenta uma visão crítica sobre os direitos humanos, afirmando que a percepção de que a política protegeria criminosos não foi criada por Jair Bolsonaro.
A desconfiança em relação às urnas eletrônicas também é um ponto no livro de 2017. Flávio reconhece que o sistema foi inicialmente bem recebido por reduzir fraudes do voto em papel, mas aponta um crescimento das suspeitas. Ele questiona a possibilidade de comprovar a ocorrência ou a inexistência de fraude e defende a adoção do voto impresso para aumentar a transparência. “Se não há como provar que houve a fraude, como provar que ela não aconteceu?”, escreve. Essa posição continua associada à sua atuação política, com o senador tendo apresentado informações falsas sobre as urnas eletrônicas em um encontro recente com diplomatas.
Em vários trechos, Flávio Bolsonaro busca refutar acusações de racismo e homofobia contra seu pai, argumentando que as declarações controversas de Jair Bolsonaro são frequentemente tiradas de contexto. Ele também interpreta processos e tentativas de cassação enfrentados pelo ex-mandatário como formas de perseguição. No livro, afirma que as posições consideradas polêmicas de Bolsonaro são autênticas e não se submetem ao que chama de “ditadura do politicamente correto”. O senador critica a imprensa, escrevendo: “O tempo passa, o tempo voa, mas a maior parte da imprensa permanece esquerdista”.






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