O bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações – igreja evangélica onde Flávio Bolsonaro foi batizado –, publicou um livro em 2001 no qual associou a morte do presidente eleito Tancredo Neves a uma bênção recebida do Papa João Paulo II. A obra, intitulada “A Bomba — a verdade pode ser explosiva”, também critica a legislação brasileira que reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país. As revelações foram divulgadas nesta terça-feira (29) pelo jornalista Lauro Jardim, de O Globo, e ganham destaque em meio a debates sobre Nossa Senhora Aparecida na campanha presidencial de 2026.
No capítulo “A rainha dos céus no Brasil”, Carvalho questiona o reconhecimento da padroeira e argumenta que bênçãos concedidas por papas resultaram em desfechos negativos. Ele escreveu: “Olhando para a história do Brasil podemos averiguar o quanto nossa nação só veio a perder com a declaração papal. É verdade que as declarações papais trouxeram resultados catastróficos a quem assim as recebeu”. O bispo citou ainda que “a Bíblia diz que certas bênçãos transformam-se em maldições (Ml 2:2)” e utilizou Tancredo Neves como exemplo. “Tancredo Neves recebeu a ‘bênção’ para governar nosso país: Não subiu a rampa do Palácio.”
Críticas à padroeira e seus impactos
Tancredo Neves, eleito presidente da República de forma indireta em janeiro de 1985, encontrou-se com João Paulo II no Vaticano em 25 de janeiro do mesmo ano. Ele adoeceu pouco antes da posse, não chegou a assumir o cargo e faleceu em 21 de abril de 1985.
No mesmo livro, Carvalho relacionou o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil a uma série de problemas enfrentados pelo país. Entre eles, o líder religioso mencionou dificuldades econômicas, questões climáticas e a violência. “No Brasil, a ‘bênção’ papal aceita pelas autoridades governamentais não ajudou em nada nossa nação. Após Aparecida ser estabelecida como a padroeira do Brasil, nossa nação afundou na recessão, a inflação explodiu, as secas no nordeste dizimaram as plantações, enchentes no sudeste, criminalidade nas ruas, etc.”
Convocação e críticas à legislação
O bispo também classificou como ilegal e inconstitucional a Lei nº 6.802, sancionada em 30 de junho de 1980 pelo então presidente João Figueiredo. Essa legislação estabeleceu 12 de outubro como feriado nacional para o culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e permanece em vigor.
Ao final de sua obra, JB Carvalho fez um apelo para que cristãos exercessem pressão sobre deputados e senadores, buscando reverter o reconhecimento oficial de Nossa Senhora Aparecida. Ele declarou: “Quero aqui convocar todos os cristãos que levantem suas vozes em todo Brasil a fim de protestar contra a institucionalização da adoração pagã em nossa terra. Está mais do que na hora de nossos representantes na Câmara e Senado, tomarem posição e fazer ouvir suas vozes declarando a vontade do povo cristão, de que no Brasil não tenhamos mais Aparecida como nossa padroeira.”
O bispo reiterou que “Temos a liberdade de servir nosso Deus e queremos ter nossos direitos respeitados, pois o culto à Rainha dos Céus, em nossa nação não somente é ilegal no que diz respeito às leis humanas, como também é ilegal no que tange às leis de Deus. Chamo a todos para se unirem e se manifestarem, vamos todos nos levantar em nossa terra, para afirmar que só YAHWEH é Deus e feliz é a nação cujo Deus é Jesus, o Senhor!”






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