Às vésperas da eleição presidencial, a escolha nas urnas transcende a mera preferência ideológica. O voto se configura como uma manifestação decisiva para impedir o retorno de um cenário considerado traumático por muitos. Embora haja ressalvas em relação ao atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, a sua eleição é vista como a única forma de barrar o que se descreve como a volta da barbárie bolsonarista.

No dia da votação, a lembrança das ações da gestão anterior, sob Jair Bolsonaro, e o que seria a sua reprodução por um possível governo de Flávio Bolsonaro, com o suposto apoio de Donald Trump, são pontos de reflexão. Diferentes perfis de eleitores votarão no candidato. De um lado, os mais ricos, que, cientes do impacto na democracia e soberania, buscam a defesa de seus interesses. De outro, uma parcela da população, inclusive de classes sociais mais baixas, que teria sido influenciada por uma campanha antipetista veiculada por meios de comunicação e líderes religiosos.

Memórias da Pandemia e Políticas Públicas

Durante os quatro anos da gestão anterior, o Brasil vivenciou momentos críticos, como o período da pandemia de COVID-19. Mais de 700 mil mortes foram registradas, um número que, segundo o artigo, poderia ter sido significativamente menor com uma política de imunização mais eficaz. A recusa em adotar a vacina, a promoção da cloroquina e a postura negacionista em relação ao distanciamento social são citadas como fatores agravantes. A frase "Não sou coveiro" e as imagens de caixões empilhados permanecem na memória coletiva.

Outras medidas do governo de Jair Bolsonaro também são recordadas, como o fim do programa Mais Médicos, que resultou na saída de profissionais cubanos que atendiam em regiões remotas do país. Políticas públicas voltadas para mitigar a pobreza e a desigualdade foram desmanteladas, levando parte da população a buscar por alimentos em condições precárias. Na área ambiental, órgãos de fiscalização como o Ibama foram enfraquecidos, resultando no avanço do desmatamento e na deterioração da imagem do Brasil no cenário internacional. A questão indígena também foi alvo de críticas, com a demarcação de terras sendo transferida para o Ministério da Agricultura.

Impacto Social e Geopolítico

A flexibilização do uso e posse de armas, com a entrada de mais de 1,3 milhão de novas armas em circulação, é outro ponto abordado, relacionando-o a possíveis laços com milícias. O artigo alerta para o risco de um retorno do grupo ao poder, o que poderia levar a ataques às instituições, questionamento do sistema eleitoral e tentativas de golpe de Estado, a exemplo do que teria ocorrido em 2022/2023.

A crítica se estende ao desrespeito à Justiça e à ciência, à desvalorização das políticas de educação e saúde, à asfixia das universidades e aos ataques a jornalistas, principalmente mulheres. O machismo, a homofobia e a misoginia teriam florescido sob a gestão anterior, culminando em um aumento nos índices de feminicídios e assassinatos de pessoas LGBTQIA+. No cenário internacional, o Brasil, que hoje é respeitado e ouvido globalmente graças ao governo Lula, poderia novamente se tornar um pária, com uma política externa servil aos Estados Unidos, desarticulando o Itamaraty e perseguindo a diplomacia brasileira. O uso da palavra "pátria" por Bolsonaro, enquanto se fazia continência à bandeira americana, é citado como um paradoxo. Por fim, o artigo reforça a ideia de que, mesmo sem entusiasmo, o voto é um dever para evitar a repetição de um período considerado "pesadelo".