A eleição presidencial de 2024 pode ser decidida já no primeiro turno, no dia 4 de outubro, conforme a análise das pesquisas eleitorais. Embora o presidente Lula apresente uma maior probabilidade estatística de alcançar mais de 50% dos votos válidos, a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno não está descartada. O desfecho dependerá da capacidade de cada candidatura em mobilizar o voto útil nos últimos dias de campanha, além de fatores imponderáveis, incluindo possíveis interferências externas.

De acordo com o Datafolha e a Quest, Lula registra 47,9% e 49,2% dos votos válidos, respectivamente, em pesquisas espontâneas e sem considerar a margem de erro. Para garantir a reeleição no primeiro turno, o presidente precisaria de um aumento entre 0,8% (Quest) e 2,1% (Datafolha) em sua votação. Já Flávio Bolsonaro, com 39,7% no Datafolha e 41,3% na Quest, necessitaria de um crescimento entre 8,7% e 10,3% nas intenções de voto para assegurar a vitória na primeira rodada.

Voto útil e cenários para o 2º turno

Enquanto a decisão de voto para Lula e Flávio Bolsonaro está consolidada para cerca de 90% de seus eleitores, aproximadamente metade do eleitorado de outros candidatos — como Cury, Caiado, Renan e Zema — ainda considera mudar seu voto para evitar a eleição de outro candidato. Este eleitorado, considerado 'volúvel', tende majoritariamente a Flávio Bolsonaro, com cerca de 45%, enquanto 30% migrariam para Lula e 25% anulariam o voto ou se absteriam. A candidatura de Augusto Cury, por exemplo, teve um crescimento impulsionado por estratégias articuladas para atrair eleitores independentes, com a expectativa de redirecionar esses votos para Flávio Bolsonaro em um momento oportuno.

A reeleição de Lula é considerada mais provável caso seja conquistada no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, o cenário se tornaria mais desafiador para o atual presidente. Pesquisas estimuladas (Datafolha e Quaest) indicam que Lula encerraria o primeiro turno com cerca de 43% dos votos válidos, sem considerar as margens de erro. Por outro lado, a soma dos votos do bloco anti-Lula poderia atingir aproximadamente 57%, incluindo os 39% de Flávio Bolsonaro e 18% de outras candidaturas bolsonaristas. Essa distribuição de votos daria uma vantagem significativa ao candidato extremista em um segundo turno, ao atrair os eleitores pulverizados entre os candidatos de direita e extrema-direita no primeiro turno.

Incógnitas e desafios do processo eleitoral

Esta eleição é marcada por incertezas e a possibilidade de interferências estrangeiras, cuja extensão e impacto ainda são desconhecidos. Há indícios de uma ação coordenada entre forças da direita e extrema-direita, tanto nacionais quanto internacionais, incluindo organizações e agências de ultradireita, especialmente dos Estados Unidos e Israel. Além disso, a fragilidade institucional é apontada devido ao controle bolsonarista do TSE, o que poderia comprometer a lisura do processo eleitoral. A postura do presidente Kássio Nunes Marques em relação à desinformação, disseminação de mentiras e uso ilegal de inteligência artificial pelo bolsonarismo é vista como um enfraquecimento das garantias democráticas. Nesse contexto, a eleição se desenrola sob uma aparente normalidade, mas a democracia e a soberania do Brasil enfrentam ameaças significativas. A mobilização da militância petista, progressista, de esquerda e democrática é vista como crucial para resistir à ofensiva conservadora, buscando reeleger Lula já no primeiro turno e alertar a população sobre os riscos de um novo mandato de Bolsonaro.