Às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, o Brasil apresenta um cenário econômico marcado por um mercado de trabalho fortalecido. Dados divulgados neste sábado (3) pela Folha de S.Paulo mostram que a taxa de desemprego atingiu o menor nível para o período, acompanhada por recordes de ocupação e renda, transformando esse contraste em um dos elementos centrais da disputa eleitoral.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatiza esses indicadores econômicos positivos em sua campanha. Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro concentra seu discurso no aumento do endividamento das famílias e no impacto do custo de vida no orçamento doméstico.

Dados do IBGE e Análise Econômica

As informações mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a taxa de desemprego alcançou 5,3% no trimestre encerrado em agosto. Este é o menor patamar registrado para o período desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. O país também registrou 103,5 milhões de pessoas ocupadas, abrangendo tanto trabalhadores formais quanto informais. O rendimento médio mensal real atingiu R$ 3.777, um valor recorde para um trimestre finalizado em agosto.

Esses números fortalecem o principal argumento econômico utilizado por Lula na reta final de sua campanha. A diminuição do desemprego e o crescimento da renda são fatores que tradicionalmente influenciam a percepção das famílias sobre a situação econômica. Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados e colunista da Folha, observa que o cenário econômico atual tende a ser favorável ao governo, citando a queda do desemprego e a desaceleração da inflação. No entanto, ele ressalta que o endividamento representa um ponto de preocupação. “O que tem de negativo, e que afeta potencialmente a popularidade do governo, é a questão da inadimplência. Tem uma conjunção de juros elevados e população endividada, além do efeito das bets, que também afeta a inadimplência”, destacou o economista.

Impacto na Disputa Eleitoral

A coexistência de indicadores positivos no mercado de trabalho e as dificuldades financeiras das famílias ajudam a entender por que os dois principais candidatos focam em aspectos econômicos distintos. Lula busca associar sua candidatura à expansão do emprego, ocupação e renda. Por sua vez, Flávio Bolsonaro destaca o endividamento e a pressão de despesas e juros sobre os consumidores. Ambos figuram entre os principais nomes nas pesquisas antes da votação de domingo (4).

Fabio Bentes argumenta que a melhora do emprego e do padrão de consumo geralmente favorece governos que buscam a reeleição em diversos países. Contudo, ele pondera que o cenário brasileiro apresenta uma combinação de forças com direções distintas. “Faz sentido que a disputa esteja tão acirrada como está para o governo federal e na maioria dos estados”, afirmou.