O candidato Eduardo Paes (PSD), que disputa o governo do Rio de Janeiro, declarou ter encaminhado à Polícia Federal informações a respeito de uma candidatura concorrente. Segundo Paes, este adversário estaria movimentando dinheiro em espécie nos últimos dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, que acontecerá em breve.

A acusação foi feita por Paes na noite desta quinta-feira, por meio de uma publicação na rede social X. Ele afirmou possuir dados sobre indivíduos e empresas supostamente envolvidos nessa movimentação de recursos. Contudo, o candidato não revelou publicamente o nome do adversário em questão nem apresentou as evidências que disse ter entregue às autoridades competentes.

Liderança na disputa e contexto político

“Só um registro importante para a Polícia Federal: tenho informações muito firmes de que uma candidatura adversária está circulando dinheiro vivo à vontade”, escreveu Paes, adicionando que já havia fornecido à PF dados sobre pessoas e empresas com interesses no estado. A postagem levantou questionamentos sobre uma possível tentativa de compra de votos, mas Paes não detalhou publicamente a forma de distribuição do dinheiro nem apontou nominalmente os responsáveis.

A denúncia de Paes ocorre em um período de polarização política no Rio de Janeiro, com a disputa principal entre ele e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL). Apesar disso, a mensagem do candidato do PSD não menciona Ruas, o ex-governador Cláudio Castro (PL) ou qualquer outro concorrente. Paes, no entanto, mantém a liderança na corrida pelo Palácio Guanabara, conforme pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, com 42% das intenções de voto totais, contra 31% de Ruas e 7% de Anthony Garotinho (Republicanos). Nos votos válidos, Paes registra 47% e Ruas 35%.

Investigações em outros estados

A acusação de Paes se alinha com um momento em que autoridades eleitorais e policiais intensificaram as ações contra suspeitas de irregularidades eleitorais em diversos estados. No Amapá, por exemplo, a Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral apreenderam mais de R$ 1,8 milhão em espécie durante uma investigação sobre compra de votos, coação eleitoral e uso indevido de programa social.

No Pará, outra investigação sobre possível corrupção eleitoral resultou na apreensão de R$ 87,4 mil em espécie. Parte desse valor estava em envelopes identificados com nomes de pessoas, acompanhados de uma lista de nomes e assinaturas de recebimento, conforme relatado pela Polícia Federal.