O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, declarou nesta sexta-feira (2) que a sigla se mostra disposta a dialogar com forças políticas de outros espectros, incluindo a direita, caso haja um segundo turno nas eleições presidenciais. A declaração foi feita ao g1, em São Paulo, durante uma entrevista. Silva ressaltou a importância de dialogar com candidaturas que, apesar de serem de direita, "valorizam a democracia e querem um Brasil democrático", alertando para o risco de o país se tornar intolerante.
Edinho Silva, que também coordena a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmou que o mandatário pretende participar dos debates em um eventual segundo turno. Lula não compareceu aos debates no primeiro turno, mas, de acordo com o dirigente petista, deseja um confronto direto com Flávio Bolsonaro, a fim de que o eleitorado possa "enxergar a diferença entre o Brasil que o Flávio defende e o Brasil que ele representa". A entrevista ocorreu em um hotel na capital paulista, com a presença de membros da campanha e de Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT.
Desafios da campanha e expectativas eleitorais
Edinho Silva apontou que a campanha de Lula enfrenta o desafio de um "sentimento de mudança" entre os eleitores. Ele argumentou que o candidato petista deve destacar sua capacidade de promover reformas estruturais, pois o verdadeiro adversário não é Flávio Bolsonaro, mas sim esse desejo de mudança. Silva enfatizou que Lula é o único capaz de realizar as transformações necessárias. O presidente do PT demonstrou confiança na campanha para o segundo turno, mencionando que desde 2025 o partido vem organizando alianças e estruturas regionais para sustentar a candidatura à reeleição.
Quanto às disputas estaduais, Edinho Silva avaliou que a polarização pode levar algumas eleições a serem definidas já no primeiro turno. Ele expressou a expectativa de que o PT alcance o segundo turno no Rio Grande do Norte e em Minas Gerais, e vença no primeiro turno no Piauí. Em estados onde o partido apoia aliados, ele citou o Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Amazonas e Paraná como locais de avanço, além de projetar vitórias de aliados no primeiro turno em Sergipe e no Pará. Em São Paulo, onde Fernando Haddad (PT) está atrás de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas pesquisas, Silva classificou a campanha petista como "brilhante" e sugeriu que o voto útil pode alterar o cenário.
Expectativas para o Congresso Nacional e críticas internacionais
A dois dias das eleições, o presidente nacional do PT também compartilhou suas projeções para a composição do Congresso Nacional. Edinho Silva acredita que a bancada do PT na Câmara dos Deputados pode passar de 69 para pelo menos 80 parlamentares. Para o Senado, ele espera que o "campo democrático" conquiste a maioria, ressaltando a necessidade de alianças para "impedir o crescimento dessa direita de inspiração fascista".
Durante a entrevista, Edinho Silva abordou suspeitas de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro e criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de "o maior líder fascista do século XXI". O dirigente defendeu que os envolvidos em tal interferência sejam responsabilizados, com a possibilidade de levar o caso a organismos internacionais. Ele também comentou o fechamento dos consulados e da Embaixada dos EUA no Brasil na quinta-feira (1), atribuído a "questões de segurança", classificando a ação como "inédita" e "sem o menor sentido", e enxergando-a como uma estratégia de Trump para influenciar a opinião pública no Brasil.






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