A economia criativa (EC) do BRICS+, que abrange setores como design, arquitetura, publicidade, cinema e música, está se consolidando como um novo motor de crescimento global. Um estudo recente da TV BRICS, intitulado “Desenvolvimento das indústrias criativas: países do BRICS”, aponta que essas indústrias promovem a inovação, aumentam a competitividade das cidades, contribuem para o desenvolvimento sustentável e impulsionam as exportações. O mercado global das indústrias criativas, avaliado em US$ 2,9 trilhões em 2024, pode atingir US$ 4,3 trilhões até 2033, com um crescimento anual médio de 4,3%.

As indústrias criativas já representam aproximadamente 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, 3% do comércio global e mais de 6% dos empregos. Em alguns segmentos, o crescimento anual chega a 8%, superando o ritmo de expansão de setores tradicionais. O valor de um produto criativo é cada vez mais determinado por emoções, contexto cultural e a experiência do consumidor, transformando a criatividade em um fator econômico estratégico capaz de gerar empregos e receitas de exportação.

Modelos de desenvolvimento e desafios

A análise das estratégias nacionais revela três modelos predominantes de desenvolvimento no BRICS+. O modelo de inovação tecnológica, comum na China e nos Emirados Árabes Unidos, se baseia em vasta infraestrutura tecnológica e capital. Rússia e Brasil adotam um modelo híbrido, combinando recursos humanos e grandes mercados consumidores. Já a África do Sul, Índia, Egito, Irã e Etiópia seguem o modelo tradicional-cultural, explorando seu patrimônio cultural e identidade nacional. Gueorgui Grits, especialista em economia e negócios, destaca que o potencial do BRICS+ na economia criativa ainda é subutilizado no mercado global, representando uma oportunidade para um modelo de ordem mundial multipolar.

A participação da economia criativa no PIB varia significativamente entre os membros do BRICS+. A Indonésia lidera com 7,3%, seguida pela China (4,6%) e Rússia (4,1%). Brasil e Emirados Árabes Unidos registram índices próximos de 3,6% e 3,5%, respectivamente. Em termos de volume econômico, a China se destaca com US$ 879 bilhões, enquanto a Indonésia e a Rússia vêm na sequência com US$ 105 bilhões e US$ 87 bilhões, respectivamente. No mercado de trabalho, a Indonésia emprega 18,7% de sua força de trabalho no setor, o Egito 15% e a Índia 8,3%. No comércio exterior, China e Emirados Árabes Unidos respondem por mais de 60% das exportações criativas do grupo.

Financiamento e desigualdade digital

Entre os principais desafios para o setor criativo no BRICS+ estão a distribuição desigual do apoio estatal, a carência de financiamento e a ausência de estatísticas comparáveis. A falta de uma metodologia comum para avaliar indicadores como PIB, emprego e exportações dificulta as comparações internacionais e a formulação de políticas conjuntas. Empresas criativas enfrentam obstáculos para obter financiamento especializado, já que o sistema financeiro tradicional prioriza ativos materiais. Mecanismos de apoio público-privado, como os vistos na China e nos Emirados Árabes Unidos, são uma forma de mitigar essa lacuna.

A desigualdade digital é outro fator limitante, com o acesso à internet variando de 99% nos Emirados Árabes Unidos a 38% na Etiópia. A cautela dos investidores de capital de risco também restringe o acesso ao financiamento. O número de operações de venture capital tem diminuído globalmente, com investimentos concentrados em tecnologias tradicionais, o que eleva as exigências para projetos criativos que buscam capital privado.

A China, por exemplo, é um dos maiores exemplos de integração entre economia e desenvolvimento tecnológico. O país ocupa a 10ª posição no Índice Global de Inovação (GII) de 2025, concentrando 24 dos 100 principais clusters de inovação do mundo. A China também se destaca na atividade de patentes e nos resultados de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico, além de ser o segundo maior investidor global em capital de risco em estágios avançados.