Faltando poucos dias para as eleições, o cenário político é dominado por pesquisas, debates, acusações e estratégias eleitorais. No entanto, em meio a essa efervescência, surge um questionamento crucial: qual é o verdadeiro papel do trabalhador nesse processo? A pergunta não se refere a quem ele votará, nem ao trabalhador idealizado das propagandas, mas sim àqueles que enfrentam a realidade diária do trabalho, homens e mulheres que acordam cedo, se deslocam por longas distâncias e lidam com jornadas exaustivas para sustentar suas famílias.

Esses milhões de brasileiros, que conhecem de perto o custo da vida e dependem diretamente das decisões políticas, representam a força motriz da nação. No dia 4 de outubro, mais de 158 milhões de eleitores estarão aptos a votar no primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, escolhendo presidente, governadores, senadores e deputados. Essas escolhas impactarão diretamente temas como jornada de trabalho, salários, aposentadoria, terceirização, proteção social e direitos, que são definidos no Congresso, no governo, nas leis e no orçamento público.

A qualidade do emprego em debate

Apesar do Brasil ter gerado 972.203 novos empregos formais entre janeiro e julho de 2026, atingindo mais de 48 milhões de vínculos, a discussão sobre o mercado de trabalho precisa ir além dos números. É fundamental questionar a qualidade desses empregos: qual o salário, a carga horária, o tempo de deslocamento, a possibilidade de conciliar trabalho e vida pessoal, e a capacidade de planejar o futuro. A antiga pergunta "Tem emprego?" evoluiu para "Que emprego é esse?", refletindo a crescente preocupação com a dignidade e a qualidade de vida do trabalhador.

A crescente discussão em torno da escala de trabalho 6x1 é um exemplo claro dessa mudança de perspectiva, onde o foco se desloca da simples existência do emprego para a quantidade de vida que o trabalhador precisa dedicar a ele para sobreviver. Os eleitos serão os responsáveis por decidir sobre essas questões, e é essencial que compreendam o impacto de uma jornada exaustiva na vida dos trabalhadores, não apenas por relatos, mas por experiência real.

Representatividade para além do voto

É vital que o trabalhador não seja apenas um eleitor ou um figurante em campanhas políticas. Ele precisa estar presente do outro lado da urna, disputando eleições, ocupando cargos legislativos e participando ativamente da formulação e votação de leis que afetam diretamente sua realidade. A experiência vivida no mundo do trabalho é um conhecimento político valioso e deve ter espaço nas instituições.

Apesar de o trabalhador aparecer com frequência nos discursos e propagandas durante o período eleitoral, a questão fundamental é se sua presença política se mantém após o pleito. A trajetória de líderes como o ex-presidente Lula, que trouxe sua experiência de operário para a política, demonstra a importância da representatividade de quem vem do mundo do trabalho. Contudo, é preciso que mais trabalhadores ocupem o Congresso Nacional para garantir que pautas essenciais, como a da escala 6x1, sejam realmente priorizadas e transformadas em políticas públicas. A democracia deve, portanto, não apenas permitir a escolha de representantes, mas também criar condições para que as diversas parcelas da sociedade possam se expressar e ser representadas.