O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24) que o crime organizado vem infiltrando e capturando parte do sistema financeiro brasileiro, segundo apurações da Operação Crédito Oculto. Ele disse que bancos, fintechs e gestoras de investimento passaram a atuar como apoio direto a facções criminosas.

Durigan relacionou o avanço dessas operações ao mercado informal de combustíveis e a organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC). Para ele, o dinheiro circula por estruturas financeiras que funcionam como uma espécie de “lavanderia” e depois retorna aos mesmos grupos investigados.

Ocultação de patrimônio e falta de comunicação

O ministro afirmou que fundos de investimento, administradoras de recursos e bancos criam camadas sucessivas de operações para dificultar o rastreamento do dinheiro e esconder a propriedade real dos ativos. Ele disse que essa engenharia financeira dá aparência legal a negócios sem substância econômica.

Segundo Durigan, o problema também envolve a ausência de comunicações obrigatórias a órgãos como Coaf, Banco Central e Receita Federal. Ele sustentou que, quando o próprio setor deixa de informar movimentações suspeitas, a atuação das autoridades fica mais difícil.

Uso de tecnologia para rastrear operações

Durigan disse que o governo quer reforçar a atuação da Receita Federal com uso de inteligência artificial e cruzamento automatizado de dados. A ideia, segundo ele, é identificar mais rapidamente estruturas usadas para lavar recursos e chegar aos responsáveis no topo dessas operações.

O ministro acrescentou que esse tipo de esquema tem sido encontrado em fundos de investimento e em outras estruturas do mercado legal que, na visão dele, acabam sendo usadas para ocultar patrimônio e sustentar práticas criminosas.

Ele também afirmou que parte dessas movimentações pode ser usada para corrupção de autoridades e para outras finalidades ilícitas, ampliando o alcance dos esquemas investigados.