Ataques com drones teriam atingido uma refinaria e depósitos de petróleo na região russa de Samara na sexta-feira (2), resultando em explosões e incêndios. As informações, divulgadas inicialmente pela RTP, citam o canal Astra e autoridades russas. O complexo afetado inclui o LPDS Samara, um vasto parque de tanques de petróleo da estatal Transneft, com capacidade superior a 1,6 milhão de metros cúbicos, considerado o maior da Europa.

Moradores e testemunhas relataram explosões durante a madrugada nas instalações da Transneft. O Ministério da Defesa da Rússia confirmou que drones atacaram Samara, mas não detalhou a extensão dos danos. O aeroporto regional teve suas operações suspensas. O complexo danificado, que abrange mais de 200 hectares, engloba tanques de armazenamento e estações de bombeamento conectadas a quatro oleodutos, recebendo petróleo da Sibéria, Tartaristão, Orenburg e Cazaquistão.

Ataques também em Volgogrado e estratégia ucraniana

A ofensiva de sexta-feira não se restringiu a Samara. Em Volgogrado, o governador Andrei Bocharov reportou um “ataque em grande escala contra a infraestrutura industrial”. O canal Astra indicou que uma refinaria e a indústria química Kaustik foram atingidas, com relatos de incêndios. Vídeos do projeto Exilenova+ mostram uma grande área em chamas, atribuída às instalações petrolíferas atacadas.

Essas ações se inserem em uma série de ataques ucranianos contra refinarias, depósitos e outros componentes da infraestrutura energética russa. Dezenas de refinarias russas foram alvo de drones nos últimos meses, em uma estratégia que visa pressionar um setor crucial para a economia e o abastecimento militar da Rússia. O presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu o impacto econômico dessas operações, afirmando que os ataques causaram perdas equivalentes a cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) russo e que a Ucrânia alcançou “parcialmente” seu objetivo, embora tenha negado escassez de combustíveis. O governo russo recentemente limitou a divulgação de dados sobre exportação e processamento de refinarias.

Defesa russa e números de drones

Segundo o Ministério da Defesa russo, as defesas aéreas abateram 646 drones de asa fixa durante a noite. Moscou informou que as interceptações ocorreram em 13 regiões da porção europeia da Rússia, além da Crimeia, península anexada em 2014, e sobre os mares Negro e de Azov. O número divulgado pelo governo russo não pôde ser verificado de forma independente.