O dólar encerrou a última sexta-feira com uma variação discreta frente ao real, impactado pela desvalorização global da moeda norte-americana, após a divulgação de indicadores fracos sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos, e pela prudência que precede o primeiro turno eleitoral no Brasil.
Na véspera das eleições de domingo, os investidores reagiram à nova pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira, e ao cancelamento do debate presidencial na TV Globo. O dólar à vista fechou o dia com uma leve queda de 0,13%, cotado a R$ 5,2173. Ao longo da semana, a moeda acumulou alta de 0,65%, enquanto no ano, registrou queda de 4,95%. O dólar futuro para novembro, o mais negociado, operava em baixa de 0,34% na B3, atingindo R$ 5,2425.
Cenário Internacional e Nacional
Pela manhã, os EUA divulgaram a criação de 29 mil postos de trabalho em setembro, número significativamente abaixo dos 90 mil esperados por economistas. A taxa de desemprego ficou em 4,2%, superando a projeção de 4,1%. Após esses dados, o dólar perdeu força em relação à maioria das moedas, incluindo o real, e os rendimentos dos Treasuries caíram, reforçando a expectativa de manutenção das taxas de juros pelo Federal Reserve neste mês.
No Brasil, o cenário mudou ainda pela manhã, com o dólar se aproximando da estabilidade devido à disputa presidencial. Profissionais do mercado indicaram que, além da incerteza sobre o vencedor, o noticiário político da quinta-feira foi desfavorável ao senador Flávio Bolsonaro, visto como preferido por alguns setores do mercado financeiro. A pesquisa Datafolha mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 45% de Flávio, com ambos tecnicamente empatados, mas Lula ampliou sua vantagem numérica para três pontos.
Impacto da Política nas Cotações
No cenário de primeiro turno, o Datafolha apontou Lula com 42% e Flávio com 38%, enquanto Augusto Cury aparecia com 4%. Flávio também cancelou sua participação no debate da TV Globo, que já não contaria com Lula, levando a emissora a cancelar o evento. Enquanto Lula participou de uma entrevista em podcast, Flávio realizou uma live.
Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, ressaltou que a estratégia de Flávio foi desfavorável, enquanto a entrevista de Lula alcançou grande audiência. No mercado, Lula é visto com certa desconfiança por parte dos agentes, que enxergam sua reeleição como um desafio para o controle das contas públicas e da inflação. Desse modo, notícias menos favoráveis a Flávio, como a vantagem numérica de Lula na pesquisa, tendem a gerar uma pressão de alta para o dólar. A disputa presidencial é considerada a mais acirrada desde a redemocratização, o que mantém o mercado sensível à incerteza.
No pico do dia, o dólar à vista atingiu R$ 5,2404. No restante da tarde, as cotações oscilaram próximas à estabilidade, com os investidores aguardando o resultado das eleições. No cenário internacional, o dólar seguiu em baixa contra a maioria das outras moedas, com o índice do dólar, que mede sua performance frente a uma cesta de seis divisas, registrando queda de 0,08%, a 101,900.






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