O dólar registrou uma leve queda em relação ao real nesta terça-feira, alternando entre altas e baixas ao longo do dia. A desvalorização da moeda norte-americana, que fechou em 0,25% a R$5,2132, foi observada em comparação com outras divisas de economias emergentes e refletiu a diminuição da força dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) no período da tarde. No acumulado do ano, a divisa já apresenta uma queda de 5,02%.

A atenção dos investidores também se voltou para o cenário político brasileiro, especialmente após a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral. O dólar futuro para outubro, o mais negociado no mercado nacional, recuava 0,19% na B3, sendo negociado a R$5,2155 às 17h03.

Flutuações impulsionadas por Fed e Treasuries

Inicialmente, o dólar ganhou força entre o final da manhã e o início da tarde, impulsionado pelo avanço nos rendimentos dos Treasuries. Essa alta ocorreu em meio a preocupações com a inflação nos Estados Unidos, com os rendimentos dos títulos de dez anos se aproximando de 5,29%, o maior nível em décadas, apesar da queda do petróleo ao longo do dia. O dólar à vista chegou a ser cotado a R$5,2418 (+0,29%) em sua máxima, registrada às 12h27 e às 14h01.

No entanto, o cenário mudou após declarações de autoridades do Federal Reserve (Fed) à tarde. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, afirmou que o banco central americano tem tempo para analisar os dados antes de decidir sobre novos aumentos nas taxas de juros. Em resposta, os rendimentos dos títulos norte-americanos de dois anos caíram e os de dez anos se afastaram de sua máxima diária, resultando na perda de força do dólar frente a várias moedas de países emergentes, incluindo o real.

Impacto da política doméstica

A corrida presidencial brasileira permaneceu no radar dos investidores. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã indicou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) detém 47,7% das intenções de voto no segundo turno para a presidência, contra 47,6% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Considerando a margem de erro de 1 ponto percentual, os dois candidatos estão tecnicamente empatados. No levantamento anterior, Flávio tinha 47,4% e Lula somava 47,7%.

No mercado, a possível reeleição de Lula é vista com certa desconfiança por muitos agentes, que expressam preocupação com o controle das contas públicas e a inflação. Notícias favoráveis a Flávio Bolsonaro, como a liderança numérica na pesquisa Atlas/Bloomberg, tendem a gerar um viés de baixa para o dólar e para a curva de juros. No exterior, o índice do dólar, que mede a performance da moeda americana contra uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,25%, atingindo 101,440 às 17h18.