Dois candidatos republicanos ao Senado dos Estados Unidos, Mike Rogers (Michigan) e Ashley Hinson (Iowa), passaram a defender o rápido encerramento do conflito no Irã e a implementação de medidas para frear o aumento dos preços dos combustíveis. A mudança de postura ocorre após ambos terem apoiado a atuação militar do presidente Donald Trump no passado, e foi anunciada na segunda-feira (21), em um período de campanhas eleitorais apertadas e elevação do custo de vida. Além de pressionar pelo fim da guerra, os candidatos propuseram a suspensão de impostos sobre a gasolina e a interrupção temporária das exportações americanas de diesel.
Essa movimentação política acontece às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro, que irão determinar a manutenção ou perda das maiorias republicanas na Câmara dos Representantes e no Senado. A nova posição de Hinson se destaca, visto que, como deputada federal, ela votou seis vezes contra propostas que visavam restringir a autoridade de Trump para prosseguir com a guerra, incluindo uma votação na semana anterior.
Repercussão da mudança e críticas dos oponentes
Ashley Hinson, em suas redes sociais, afirmou que os cidadãos de Iowa estão sendo sobrecarregados e não deveriam arcar com os custos da guerra, seja nos postos de gasolina ou nos supermercados. A candidata pediu o encerramento imediato do conflito e ações para aliviar os gastos com combustíveis, destacando a importância da agricultura em Iowa, setor dependente do diesel para operar máquinas e transportar produtos. A alta recorde do diesel intensifica a pressão sobre Hinson, que disputa contra o democrata Josh Turek.
Mike Rogers, por sua vez, apresentou sua nova posição em um anúncio de campanha, associando o fim da guerra à redução dos custos de energia. Ele defendeu que a guerra com o Irã precisa acabar rapidamente, o que faria os custos de energia despencarem, mas ressaltou a necessidade de ações imediatas para as famílias de Michigan. Suas propostas incluem a suspensão de impostos estaduais e federais sobre a gasolina e uma pausa nas exportações de diesel dos Estados Unidos. A fala de Rogers difere de sua posição anterior, quando se opôs à limitação dos poderes de Trump para a guerra.
Pressão eleitoral e desaprovação a Trump
Os adversários democratas atribuem as mudanças de postura a uma tentativa de minimizar o desgaste eleitoral. Abdul El-Sayed, concorrente de Rogers em Michigan, afirmou que a alteração de posição ocorre em virtude dos altos preços da gasolina e do diesel. Turek também criticou Hinson, ressaltando que, apesar de um tuíte fácil, a candidata teve a oportunidade de votar pelo fim da guerra e não o fez.
Com quase sete meses de duração, o conflito se tornou um fator de pressão sobre as candidaturas republicanas. A insatisfação dos americanos com a gestão econômica e a guerra, somada à persistência da inflação elevada, se reflete em pesquisas. Uma pesquisa Reuters/Ipsos revelou que a aprovação de Trump está em 32%, o menor índice de sua carreira. O afastamento de posições anteriores também se manifesta em votações no Congresso, onde deputados republicanos de Iowa, como Zach Nunn e Mariannette Miller-Meeks, reverteram suas posições para limitar os poderes de guerra de Trump no Irã. As divergências alcançam outras áreas do governo, com a deputada republicana Maria Elvira Salazar, da Flórida, criticando a repressão à imigração promovida por Trump.






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