Durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, fez um discurso que abordou diversos temas, incluindo a guerra na Ucrânia, a situação no Oriente Médio, na Venezuela e em Cuba. Lavrov criticou a política de força do Ocidente e afirmou que países europeus estariam tentando impedir negociações para encerrar o conflito na Ucrânia.

O chanceler russo acusou nações ocidentais de fornecerem armamento à Ucrânia e de auxiliarem Kiev a direcionar drones e mísseis contra civis e infraestruturas civis. Ele também refutou a ideia de uma possível derrota militar russa, declarando que os "sonhos" ocidentais de infligir uma derrota estratégica à Rússia levarão os próprios "instigadores da guerra a um beco sem saída estratégico".

Guerra na Ucrânia e Ordem Internacional

Ao defender a postura de Moscou em relação à guerra iniciada em 2022, Lavrov afirmou que a Rússia continuará sua campanha militar até que os objetivos definidos pelo governo sejam atingidos. Segundo ele, a "luta pela verdade e pela justiça irá até o fim", e as ameaças à segurança russa serão eliminadas para que a vida pacífica seja restabelecida. O ministro relacionou o conflito à disputa pela ordem internacional, mencionando que o Ocidente estaria recorrendo cada vez mais à força, ecoando uma avaliação do presidente russo, Vladimir Putin, de que a "ditadura de um único hegêmo saiu de controle e é sensivelmente perigosa para aqueles que o rodeiam".

Em relação ao Oriente Médio, o chanceler defendeu a criação de um Estado palestino e alertou sobre a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, afirmando que a continuidade da expansão tornaria impossível a formação de um Estado palestino. Ele também considerou "inaceitável" o assassinato do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e acusou os Estados Unidos e Israel de atacar instalações nucleares iranianas. Quanto à Venezuela, Lavrov exigiu a libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores, e em relação a Cuba, manifestou solidariedade, pedindo o fim das restrições e do bloqueio à ilha, além da retirada do país da lista de patrocinadores do terrorismo dos EUA.

O ministro ainda criticou o governo ucraniano por restringir o uso da língua russa e a União Europeia por, em sua visão, não reagir a supostas violações de direitos na Ucrânia. Ele lembrou os 80 anos do encerramento dos trabalhos do Tribunal de Nuremberg, em 1º de outubro, e afirmou que as lições do julgamento dos líderes nazistas ainda não foram totalmente assimiladas por todos os países.