A seis dias da votação, a eleição para o governo de 11 estados pode ser decidida já no primeiro turno. Um levantamento do jornal O Globo, baseado nos dados mais recentes das pesquisas Quaest e Datafolha, aponta que sete dessas disputas têm alta chance de definição no próximo domingo (4), enquanto outras quatro também podem terminar sem a necessidade de um segundo turno. São Paulo é citado como um dos estados com maior probabilidade de uma decisão antecipada. Por outro lado, Amazonas, Espírito Santo e Mato Grosso são os únicos onde o segundo turno é considerado o desfecho mais provável. Nos 13 pleitos restantes, o cenário ainda é de indefinição.
Para um candidato vencer no primeiro turno, ele precisa obter mais da metade dos votos válidos, desconsiderando os votos em branco e nulos. A análise do jornal considera a posição do líder nas pesquisas, a distância para os adversários e o percentual de eleitores indecisos. Dessa forma, a possibilidade de uma vitória antecipada não significa que haja um favorito consolidado em todos os 11 estados mencionados.
Cenários estaduais e a influência nacional
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera na reta final, à frente do ex-ministro Fernando Haddad (PT). A pesquisa Datafolha indica Tarcísio com 50% das intenções de voto totais e 56% dos votos válidos, enquanto Haddad registra 30% e 34%, respectivamente. No Piauí, o governador Rafael Fonteles (PT) também está em uma posição favorável à reeleição, com 70% de aprovação, segundo a Quaest. Em Santa Catarina, Jorginho Mello (PL) ultrapassa os 50% das intenções de voto totais, superando em mais que o dobro a soma dos percentuais de seus adversários.
Outros nomes alinhados com o presidente também aparecem com chances de vitória no primeiro turno. Em Roraima, Arthur Henrique (PL) marca 57% na Quaest, contra 32% do governador interino Soldado Sampaio (Republicanos). No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) busca a reeleição com 73% de aprovação. Já na Bahia e no Ceará, a situação é peculiar: há dois candidatos competitivos em cada estado, sem um terceiro nome com votação expressiva. Os governadores Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia, e Elmano de Freitas (PT), no Ceará, diminuíram a distância para ACM Neto (União) e Ciro Gomes (PSDB), respectivamente, aparecendo em empate técnico nas pesquisas Quaest. Isso eleva a chance de uma definição no primeiro turno, mesmo com o vencedor ainda incerto.
José Medeiros, professor da UFRJ e coordenador do Observatório Político e Eleitoral, explica que “São muitos estados com apenas dois candidatos competitivos. Com isso, você antecipa o segundo turno para o primeiro. E só tem dois nomes competitivos porque a terceira via, a construção de alternativas, ficou sem espaço”. No Rio de Janeiro, a possibilidade de vitória no primeiro turno diminuiu com o crescimento de Douglas Ruas (PL) na disputa com Eduardo Paes (PSD). A situação pode mudar com o julgamento dos recursos de Anthony Garotinho (Republicanos), que aparece em terceiro lugar nas pesquisas, mas teve sua candidatura indeferida. No Distrito Federal, a saída de José Roberto Arruda (PSD) da corrida eleitoral, após o indeferimento de sua candidatura, mantém aberta a possibilidade de definição imediata, com a governadora Celina Leão (PP) liderando as pesquisas.
Em 2022, 15 dos 27 governadores foram eleitos já no primeiro turno. Leandro Consentino, professor do Insper, avalia que o cenário atual é uma combinação de fatores estaduais e a influência da eleição presidencial. “É um misto. Por um lado, tem a nacionalização da campanha. Do outro, uma realidade do cenário local. Via de regra, onde existe uma conexão maior com o cenário nacional, há claramente a influência dessa polarização da corrida presidencial”, conclui.






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