Com a expectativa de um pleito presidencial decidido por uma margem estreita, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão focando suas estratégias na mobilização dos eleitores para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Ambos os candidatos buscam persuadir seus apoiadores a comparecerem às urnas, reconhecendo que cada voto pode ser decisivo. A preocupação das equipes de campanha se intensifica com a possibilidade de um aumento na abstenção, além dos votos em branco e nulos.

Pesquisadores consultados por veículos de imprensa indicam sinais de desinteresse nesta eleição. Contudo, ainda não é possível determinar o nível exato de participação nem qual candidato seria mais impactado por uma eventual redução no comparecimento. As campanhas, portanto, consideram a ida às urnas dos eleitores como um ponto central na reta final do primeiro turno.

Estratégias de mobilização

Lula tem direcionado seus apelos principalmente aos eleitores mais idosos. O voto é facultativo para pessoas acima de 70 anos, e pesquisas recentes da Quaest e Datafolha mostram que o presidente possui sua maior vantagem sobre Flávio entre os eleitores com mais de 60 anos. Em um vídeo de campanha, o petista destacou que a abstenção entre pessoas com mais de 70 anos se aproximou de 60% em 2022. O presidente também gravou com a influenciadora Ademara para encorajar a participação desse público, e o governo anunciou que o voto servirá como prova de vida para aposentados e pensionistas do INSS.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, busca mobilizar eleitores argumentando que sua candidatura representa uma mudança no governo. Em entrevista à TV Globo em agosto, o senador correlacionou a abstenção de 2022 com a margem de vitória daquela disputa, ressaltando a importância da participação dos eleitores que desejam uma mudança no país.

Rejeição e desmobilização

A rejeição aos candidatos é um fator crucial nas análises sobre a participação eleitoral. Na pesquisa Quaest, 55% dos entrevistados que conhecem Lula afirmaram que não votariam nele; para Flávio, esse índice foi de 56%. O Datafolha, ao perguntar em quem o eleitor não votaria “de jeito nenhum”, registrou uma rejeição de 45% para cada um, embora os percentuais dos institutos não sejam diretamente comparáveis devido às diferentes metodologias de questionamento.

Há também diferenças na percepção dos eleitores sobre as candidaturas dentro de seus respectivos campos políticos. Segundo a Quaest, 50% dos entrevistados que se identificam com a direita, mas não são bolsonaristas, consideram Flávio o melhor nome para a disputa. Entre os eleitores de esquerda não lulistas, 79% apontam Lula como a melhor opção. O diretor do instituto, Felipe Nunes, interpreta esses dados como um possível risco de desmobilização para o senador.

O cientista político Jairo Nicolau, professor da FGV-CPDOC, afirma que as pesquisas atuais não permitem prever com certeza um aumento na abstenção, mas sua percepção da campanha aponta para essa direção. Ele acredita em um possível incremento tanto da abstenção quanto dos votos brancos e nulos. Lucio Rennó, professor da Universidade de Brasília, também observa indícios de desânimo entre os eleitores, o que poderia resultar em uma maior abstenção, conforme estudo do ObservaDF com eleitores do Distrito Federal, embora os resultados não sejam aplicáveis a todo o país. Em 2022, a disputa entre Lula e Jair Bolsonaro registrou forte mobilização e redução dos votos brancos e nulos, cenário que pode não se repetir neste ano.