O governo federal anunciou duas medidas que, segundo o Palácio do Planalto, vão impulsionar a economia ao direcionar recursos para atividades que geram empregos, renda e desenvolvimento. As iniciativas abrangem o fim das apostas online e a implementação do Desenrola Brasil 3.0, visando proteger as famílias, recuperar sua saúde financeira e fortalecer a economia real.

A decisão de encerrar as apostas online, conhecidas como 'bets', vai além do impacto direto no bolso dos apostadores. A medida aborda uma dimensão social e de saúde pública, considerando que os problemas associados a jogos podem levar a endividamento, queda na qualidade de vida, ansiedade e depressão. Dados do Ministério da Saúde indicam um aumento de cerca de 140% nos atendimentos relacionados a jogos e apostas entre 2018 e 2025. O governo estima um custo social anual de R$ 38,8 bilhões associado aos jogos, com R$ 30,6 bilhões relacionados à saúde.

Impacto econômico das medidas

Uma parcela significativa da renda familiar estava sendo direcionada para apostas, deixando de movimentar setores produtivos. Pequenos negócios de comércio e serviços eram particularmente afetados, pois dependem do consumo das famílias. Com base em uma perda líquida anual de R$ 65 bilhões por parte dos apostadores, e aplicando um multiplicador entre 1,3 e 1,7 – compatível com o perfil de consumo das classes C, D e E, que concentram o público de apostas –, o governo projeta que esse montante, quando redirecionado ao consumo, pode gerar entre R$ 85 bilhões e R$ 110 bilhões de PIB adicional.

Com uma carga tributária efetiva de aproximadamente 32%, isso poderia resultar em uma arrecadação entre R$ 27 bilhões e R$ 35 bilhões para as três esferas de governo, superando os cerca de R$ 7,8 bilhões obtidos atualmente com a alíquota de 12% sobre a receita das operadoras. O saldo fiscal favorável ao consumo seria de R$ 19 bilhões a R$ 30 bilhões anuais, sem contabilizar os custos evitados com endividamento e saúde mental. O varejo de bairro, onde se concentram os pequenos negócios, seria o maior beneficiário direto, com o dinheiro circulando em supermercados, lojas, salões de beleza, restaurantes e oficinas.

Desenrola Brasil 3.0 e recuperação financeira

Paralelamente, o Desenrola Brasil 3.0 busca reabilitar a capacidade financeira das famílias. A Medida Provisória nº 1.393/2026 estabeleceu uma modalidade emergencial para renegociação de dívidas de pessoas físicas inadimplentes, oferecendo um deságio mínimo de 90% na aquisição de carteiras elegíveis e um limite de até R$ 15 bilhões em despesas da União. O programa, com duração prevista até junho de 2028, pode beneficiar milhões de brasileiros.

Quando uma família supera a inadimplência, ela recupera sua capacidade de consumo, planejamento e acesso a crédito, retornando plenamente à economia. Esse efeito se estende aos pequenos negócios, que dependem do poder de compra dos consumidores. A saúde financeira das famílias é, portanto, crucial para a prosperidade dos pequenos empreendimentos.

As medidas transcendem os números fiscais e financeiros, visando um desenvolvimento econômico mais amplo. De um lado, busca-se reduzir a drenagem de renda causada pelas apostas. De outro, restaurar a capacidade de pagamento e consumo de milhões de brasileiros. O objetivo é fazer o dinheiro circular, movimentando o comércio, os serviços, o emprego e a renda, transformando consumo em produção, renda em investimento e sonhos em oportunidades para o brasileiro.