O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que as reformas econômicas em curso no país, incluindo ampliação do mercado e da iniciativa privada, são uma atualização do socialismo e não representam um retorno ao capitalismo. A declaração foi feita na estreia do programa de rádio 'Critério Compartilhado', onde respondeu a perguntas de ouvintes, conforme transcrições publicadas no jornal Granma.
Díaz-Canel disse que a presença de empresas privadas, investimentos estrangeiros e mecanismos de mercado não altera a condução política da economia. 'O mercado é uma ferramenta e não um mestre, como no capitalismo', afirmou. Ele destacou que o planejamento, a atuação do Estado, a liderança do Partido Comunista e o controle popular são as referências para as mudanças.
Ouvintes relatam dificuldades
Durante o programa, moradores de diferentes regiões cobraram respostas para problemas cotidianos. Um ouvinte de Contramaestre reclamou da inflação e da alta dos preços, afirmando que 'salários e dinheiro na conta bancária não são suficientes para viver'. Uma aposentada de 88 anos relatou dificuldades para se manter com a pensão e pediu atenção especial aos idosos. Também houve queixas sobre a fiscalização das decisões nos municípios, como a de um ouvinte de Cienfuegos, e o caso de uma mulher que espera há mais de dez anos por uma área de cultivo em Arroyo Naranjo, apesar de uma avaliação favorável do Ministério da Agricultura.
Sobre os preços, Díaz-Canel afirmou que o controle administrativo não resolve o problema. 'A questão dos preços se resolve produzindo mais, criando mais riqueza e tendo mais oferta para a população', declarou. Ele resumiu a meta das medidas em 'mais produção, mais emprego e salários mais altos', mas reconheceu que serão julgadas pelos resultados: 'Até vermos os resultados dessas mudanças em nossos pratos, nas farmácias ou nos hospitais, não haverá satisfação'.
Crise de combustível e medidas de proteção
Díaz-Canel também tratou da escassez de combustível. Perguntado sobre suprimentos de países aliados, respondeu: 'Fizemos todos os esforços possíveis para conseguir combustível, e nenhum combustível está chegando de lugar nenhum do mundo'. Ele atribuiu as dificuldades às restrições dos Estados Unidos e disse que o país está há nove meses sem receber um carregamento de combustível, enfrentando falta de eletricidade, interrupções no abastecimento de água, problemas de transporte e escassez de farinha em padarias.
O presidente defendeu o aumento da produção interna: 'O país tem que produzir. Não pode continuar esperando que vamos resolver tudo importando.' Ele garantiu que aposentados e pessoas vulneráveis terão medidas específicas, como subsídios diferenciados e um fundo de desenvolvimento social. Na área de energia, informou que Cuba instalou 1.418 megawatts em 144 parques fotovoltaicos e prevê ultrapassar 1.500 megawatts até o fim do ano, com fontes renováveis respondendo por 21,4% da geração de eletricidade.
Ao final, Díaz-Canel criticou declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre Cuba, afirmando que o governo norte-americano tenta apresentar a ilha como um Estado falido. Ele reafirmou a posição de seu governo: 'A liberdade de Cuba chegou em 1º de janeiro de 1959, com esta Revolução, e não vamos perder essa liberdade; vamos defendê-la.'






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